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Uma Equação Difícil: Dólar Alto x Custo dos Medicamentos

Para um setor que importa mais de 80% dos insumos que utiliza e ainda por cima tem a maior parte de seus preços controlados pelo governo, o cenário econômico atual, com a alta do dólar em decorrência da crise que se abateu sobre a economia americana e repercute mundialmente, é motivo de grande apreensão. Ao longo do último ano, a indústria farmacêutica foi obrigada a absorver aumentos destes insumos, em dólar, impostos pelos seus produtores, especialmente indianos e chineses. Estes foram suportados devido à valorização do Real que ocorreu no período, e que amenizou seu impacto no custo de produção dos medicamentos fabricados no Brasil. Como a indústria farmacêutica é a única que tem preços controlados na cadeia produtiva do medicamento, fica inteiramente a mercê das circunstâncias econômicas do momento. Isto, aliado a incompreensível e absurda carga tributária suportada pelo medicamento produzido e comercializado no país - seguramente a mais alta do mundo - configura um quadro perverso tanto para o desenvolvimento da indústria nacional, quanto para o consumidor.
Obviamente, para os setores exportadores o reflexo da alta do dólar pode ser positivo em curto prazo, embora em razão da crise econômica mundial possa ocorrer alguma retração na demanda dos produtos brasileiros, principalmente commodities, se grandes consumidores como a China refrearem seu ritmo de crescimento. O balanço de pagamentos, com déficit previsto para o corrente ano superior a trinta bilhões de dólares, também pode se beneficiar caso as multinacionais diminuam as transferências de lucros e dividendos para suas matrizes, em função do aumento do seu custo em reais. Este ítem, sozinho, representou mais de vinte e dois bilhões de dólares no período janeiro a julho deste ano.
Apenas no mês de setembro, a desvalorização do Real frente ao dólar já ultrapassou a 14%. Isto aliado ao aumento da taxa selic que vem sendo promovido pelo governo com intuito de conter o aumento da inflação verificado nos últimos meses, traz repercussões negativas para o setor industrial, especialmente o farmacêutico por ter seus preços controlados. Acredito que em futuro próximo, o governo precisará rever a sua política de regulação, que deveria ser econômica, porém acaba restrita apenas ao controle de preços dos medicamentos, e a carga tributária incidente sobre estes, que como já dissemos é absurdamente elevada para a essencialidade do produto. O momento impõe que tanto o governo quanto os representantes da cadeia produtiva farmacêutica, trabalhem juntos, visando ampliar cada vez mais o acesso aos medicamentos pela população, e impedindo a asfixia da indústria farmacêutica nacional, especialmente num cenário econômico como o atual.  
 
Carlos Alexandre Geyer, diretor-presidente da ALANAC
 

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