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Teste ergométrico: um ato exclusivo do médico

Alberto F. Piccolotto Naccarato
O teste ergométrico está saindo de moda. Esta é a conclusão de cardiologistas de todo o país ao colocarem na ponta do lápis todos os custos envolvidos no exame e os baixos valores pagos pela saúde suplementar, ou seja, os convênios.
Além do local para a realização do teste e dos custos a ele atrelados, são necessários uma esteira ergométrica elétrica, de custo aproximado de R$ 16 mil, um sistema de computação com um software específico, que não sai por menos de R$ 10 mil, e um desfibrilador para a cardioversão elétrica no caso de ocorrência de arritmia grave.
 
Esse equipamento é vendido hoje, em média, a R$ 6 mil. Há, ainda, outras despesas menores, como o jogo de eletrodos. Sem falar na equipe envolvida no atendimento e no preparo do paciente, e no médico cardiologista, que deve obrigatoriamente acompanhar o exame.
O teste, em si, dura 8 minutos em média, mas deve ser considerado também o tempo necessário até o paciente ser preparado, e mais alguns minutos após o exame, para que a frequência cardíaca volte ao normal.

Ao final de todo o processo, transcorre, no mínimo, meia hora. E por tudo isso, os planos e as seguradoras nos remuneram em pouco mais de R$ 50. Nem o médico é pago adequadamente, muito menos o investimento em todos os equipamentos é recuperado.
Assim, existe desestímulo em boa parte da especialidade, o que leva outros profissionais a avançarem em uma área de atuação que é de atribuição privativa do médico. A distorção de competências certamente é um risco à saúde do paciente. Por isso, antes de realizar um teste ergométrico, recomendo que a pessoa se certifique na recepção da clínica que o exame será realizado por um cardiologista.
Segundo o Departamento de Ergometria e Reabilitação Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DERC/SBC), embora apresente morbi-mortalidade mínima, o teste ergométrico não é isento de riscos.
 
Por responsabilidade legal, não apenas a solicitação, mas também a realização e a conclusão com o relatório devem ser exclusivamente do profissional médico.
Outro complicador é a substituição do teste ergométrico pela cintilografia, solução adotada por algumas clínicas. Mesmo sob o risco de isquemia, o exame vem sendo indicado em lugar do teste de esforço, que está sendo abolido em virtude dos custos.

A cintilografia do miocárdio, procedimento no qual é utilizada substância radioativa, não deixa de ser um risco para o paciente, mas virou opção equivocadamente, pois é mais bem remunerada.
A consequência desses desvios são exames de pouquíssima qualidade técnica, metodologias inadequadas e laudos mal elaborados.
 
Em muitos casos o clínico se vê obrigado a solicitar exames complementares, como a cintilografia de perfusão miocárdica ou a angiotomografia de coronárias, aumentando os custos do processo diagnóstico e onerando o sistema de saúde.
Em suma, uma melhor remuneração do teste ergométrico é fundamental para cardiologistas e pacientes.
Alberto F. Piccolotto Naccarato é Coordenador da Socesp – Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.
 

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