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Avanço na Cardiologia: Implante de válvula do coração através de cateterismo

Dr. Edno Wallace
O aumento da expectativa de vida mundial está impondo um novo desafio a prática médica: tratar doenças complexas em pacientes cada vez mais idosos. No Brasil estima-se que em 2030 teremos 11 milhões de pessoas acima dos 75 anos de idade, segundo dados do IBGE.
Um problema de saúde frequente nesta faixa etária é a estenose da válvula aórtica (coração), que acomete mais de 3% da população acima dos 75 anos. Consiste num processo degenerativo em que ocorre calcificação da válvula, dificultando sua abertura e reduzindo o fluxo de sangue que sai do coração. Os sintomas da Estenose Aórtica (EA) consistem em fadiga, dor no peito, dificuldade para respirar e desmaios. O impacto da EA sintomática é muito significativo, reduzindo a sobrevida e a qualidade de vida desses pacientes.
Se projetarmos os dados estatísticos, em 2030 teremos no Brasil mais de 350 mil pacientes com EA degenerativa em pessoas acima dos 75 anos. O tratamento habitual desta doença consiste em substituição da válvula através de cirurgia cardíaca aberta. Entretanto, mais de um terço dos octogenários com EA são considerados inoperáveis devido à elevada fragilidade orgânica e outras doenças associadas (enfisema pulmonar, insuficiência renal etc.).
Esses fatos estimularam o desenvolvimento de próteses para implante através de cateterismo cardíaco, como o implante de stent nas artérias coronárias, evitando assim a cirurgia aberta. Duas próteses , a CoreValve e Edwards SAPIEN, já foram aprovadas nos EUA e Europa, sendo já realizados mais de 50 mil implantes em todo mundo, com elevada taxa de sucesso (superior a 90%). No Brasil mais de 400 implantes já foram realizados, com resultados comparáveis ao resto do mundo.
Os resultados de estudos mais recentes têm demonstrado grande benefício do implante da prótese aórtica, observando-se significativa redução tanto da mortalidade (redução absoluta de 20% no final de 1 ano) quanto na melhoria da qualidade de vida quando comparado com o tratamento clínico.
Concluindo: o implante da prótese aórtica por cateterimo cardíaco é uma alternativa segura e menos invasiva, sendo no momento indicada para pacientes portadores de EA e alto risco cirúrgico (idosos acima de 75 anos ou com doenças associadas).

Pessoalmente, entretanto, acho que com o maior aprendizado, disseminação da técnica e incrementos tecnológicos nos materiais, o implante da prótese através de cateterismo será a estratégia de dominante no tratamento da EA para a grande maioria dos pacientes no futuro.
Dr. Edno Wallace é especialista em cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia e Cardiologista (Clínica São Vicente/Instituto Nacional de Cardiologia).

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