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Hipocondria: causas, consequências e tratamentos

Breno Rosostolato

O paciente se sente constantemente doente? Sente o corpo convalescendo e tem a sensação que está doente? Uma gripe já é o suficiente para o paciente achar que é algo pior? Qualquer mudança de temperatura no corpo já é motivo de preocupação? Cuidado, será que seu paciente não é hipocondríaco?

A hipocondria é um distúrbio psiquiátrico caracterizado pela hipervalorização de sintomas absolutamente normais, fazendo o indivíduo acreditar que é portador de uma doença grave, muitas vezes "ainda não diagnosticada". Geralmente, os pacientes têm um medo irracional da morte, observam qualquer mudança e alterações no próprio corpo e devido isso vivem na iminência de estarem doentes. A doença está associada ao Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), à depressão ou à ansiedade.

A obsessão é uma alteração no pensamento que cria impulsos, imagens, cenas e dúvidas que invadem a consciência. São ideias impulsivas experimentadas como intrusivas e inapropriadas, que se manifestam de forma quase involuntária, repetitiva, persistente e, normalmente, absurdas. Estes seriam os pensamentos que o hipocondríaco sustenta sua convicção de que está enfermo. A pessoa, na tentativa de evitá-las ou ignorá-las, passa a ter comportamentos ritualísticos afim de neutralizar a ansiedade causada por estas ideias, que dão origem a compulsão. Atos repetitivos, como no caso de verificar se fechou a porta da casa quatro vezes, ou atos mentais, como rezar, contar e repetir frases são típicos de uma pessoa compulsiva, são comportamentos que atenuam a angústia da obsessão. Muito comum o hipocondríaco se automedicar e buscar remédios para curar a suposta doença. Em alguns casos, estocam medicamentos em casa para se sentirem mais seguros e algumas pessoas ficam pesquisando remédios novos para sua doença. A pessoa possui o discernimento de que esses pensamentos são reais, reconhecem os excessos e exageros, mas mesmo o juízo crítico não é suficiente para acabar com as atitudes compulsivas.

As causas do distúrbio não são bem definidas, mas estudos indicam que aqueles que sofrem de hipocondrismo valorizam excessivamente o corpo e a saúde ou que tem dificuldade em lidar com mudanças e limitações. São pessoas que apresentam uma ansiedade muito intensa e medos recorrentes, apresentam, também, uma maneira mais negativa de encarar a vida e são pessimistas. Ler bulas de remédio geram muito medo e angústia. Além disso, a hipocondria afeta pessoas carentes, com baixa autoestima e que sentem necessidade de atrair atenção. O hipocondríaco é inquieto e agitado, lhe agrada que outras pessoas confirmem seu suposto estado de doença, não gosta de ser contrariado e afasta-se de quem não acredita em sua fantasia.


Os sintomas mais temidos por quem sofre da doença são dor no peito, o que poderia levar a um processo de infarto; sede crônica, muitas vezes associada à diabetes; perdas ocasionais de memória e vir a sofrer do mal de Alzheimer; dificuldade de respirar, relacionada pelo hipocondríaco à doenças cardiovasculares; dores crônicas de cabeça; e tosses constantes, que são associadas à presença de tumores, meningite, tuberculose ou câncer.

Existem tipos de hipocondria. Os casos mais comuns são pessoas que acreditam ter uma doença que ainda não foi diagnosticada. Os casos mais agravantes seria a pessoa não conseguir ter vida social, faltar no trabalho e se afastar da família e amigos, evitando situações de contaminações. O estado emocional é bastante enfraquecido e a sensação de medo de que alguma coisa ruim vai acontecer é intensa e sufocante. É normal desencadear quadros de pânico e o uso desenfreado de medicamentos também é uma

O tratamento aconselhado em situações de hipocondria é a psicoterapia, realizando, num primeiro momento, a conscientização e a aceitação do cliente de que precisa de ajuda e, num segundo momento, buscar as raízes da hipocondria, que são situações de vida mal resolvidas do indivíduo. A hipnose clínica pode auxiliar neste processo de elucidação dos conflitos e revelar detalhes importantes para se compreender a história da pessoa. Desta maneira, o objetivo não é atingir uma cura, mas o controle do medo e, principalmente, dar condições para a pessoa não fantasiar situações de doenças diante dos problemas que podem surgir na vida pessoal. Encarar a realidade e reconhecer os limites é importante para as pessoas que sofrem desse mal. Resgatar a alegria da pessoa e o prazer em viver é o fator principal para não se preocupar com a morte.


Breno Rosostolato é psicólogo e professor da Faculdade Santa Marcelina - FASM-SP

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