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Dor crônica

Artur Udelsmann
 
A dor é um sinal de alerta de uma agressão sofrida ou de doença que acomete nosso organismo. É um mecanismo de defesa, permitindo assim que nosso corpo se proteja; ela é, em princípio, necessária. Em determinadas circunstâncias, no entanto, muito embora a lesão ou a doença já tenham sido curadas, a dor pode persistir; em outras, a doença se cronifica e com ela a dor também! É a chamada dor crônica, que é aquela que persiste além de três ou seis meses sem função de proteção. Trata-se de fenômeno complexo, também ligado a fatores culturais e emocionais, talvez uma das mais importantes causas de incapacidade e baixa qualidade de vida. Estima-se que cerca de 7 a 40% da população adulta sofra alguma forma de dor crônica. Depressão e outras alterações psicológicas estão frequentemente associadas e a resposta aos analgésicos comuns não é sempre satisfatória.
 
A dor manifesta-se de várias formas: ardor, queimação, pontada, choque, cólica, latejamento, corte, pressão ou formigamento. Pode ser esporádica, com períodos de acalmia, ou contínua, sem interrupção. Quando ligada a uma doença ou lesão real é dita orgânica, mas pode também ter sua origem em distúrbios emocionais sendo então chamada de psicogênica. Pode ser bem localizada em determinada região do corpo ou então difusa.
 
Entre as doenças que podem ocasionar dor crônica, o câncer é, talvez, aquela com a maior incidência desse sintoma, mas é também, felizmente, aquele na qual os resultados de tratamento são os melhores. Outras como a lombalgia (dor nas costas), cérvico-braquialgia (dor no pescoço e braços), fibromialgia (dores musculares) e as dores relacionadas ao trabalho conhecidas como LER/DORT, têm uma abordagem terapêutica de alívio muito mais complexa, necessitando frequentemente um tratamento com profissionais de várias especialidades.
 
O tratamento da dor crônica é feito preferencialmente com medicação por via oral, como analgésicos centrais ou periféricos, anti-inflamatórios, anti-depressivos, ansiolíticos e inúmeras outras drogas adaptadas a cada paciente. Em muitos casos, bloqueios com anestésicos locais de longa duração dão bons resultados iniciais até que a medicação oral comece a agir. Fisioterapia e outros recursos terapêuticos podem também ser necessários. A avaliação do tratamento se faz através de escalas que medem a dor; entre elas, a mais comum e prática é a Escala Numérica Visual de 0 a 10, onde 0 é a ausência de dor e 10 a pior dor possível; o paciente então dá uma "nota" para a sua dor e, neste caso, quanto menor ela for, melhor terá sido o resultado do tratamento!
 
O doente com dor crônica deve ter um acompanhamento contínuo até que seus sintomas tenham melhorado; uma vez obtido um alívio satisfatório, as consultas podem ser realizadas com menor frequência. É importante lembrar sempre que a prevenção ainda é a melhor opção; todos devemos nos preocupar em ter uma vida saudável, praticar exercícios físicos, evitar stress inútil, álcool e cigarro em excesso, prestar atenção à postura, estilo de vida e com isso seremos capazes de evitar inúmeras das causas responsáveis por esse nefasto sintoma.
 
Artur Udelsmann é Professor do Departamento de Anestesiologia da FCM-UNICAMP, atua no Ambulatório de Dor do Hospital das Clínicas da UNICAMP e na Policlínica da Faculdade de Ciências Médicas.   patek philippe replica watches

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