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Obesidade é uma doença e não falha de caráter, diz Joffre Nogueira Filho

A população brasileira está engordando e isso é fato. Um estudo divulgado na revista científica Lancet revelou que o Brasil tem mais pessoas acima do peso ou obesas do que a média mundial. Em estatísticas alarmantes, a obesidade atinge mais da metade da população do País, 58% das mulheres e 52% dos homens, contra 37% dos homens e 38% das mulheres na média mundial.

Apesar da doença ser bastante conhecida, para o endocrinologista e nutrólogo Dr. Joffre Nogueira Filho, de São Paulo, a falta de informação ainda é uma dos maiores inimigos para o início de um tratamento. “Tenho a convicção de que os pacientes que vem ao consultório fazem tudo o que é possível para atingirem o peso desejado. Todos sabem o que engorda e ‘pensam que sabem’ o que deveriam fazer para serem mais magros. Mas estas informações, infelizmente, não são suficientes. A obesidade é uma doença e não falha de caráter e deve ser respeitada”, explica o especialista.

Mas o que leva uma pessoa, de fato, a ganhar peso? Seria apenas uma questão matemática de ingestão e gasto de calorias? Segundo o Dr. Joffre, são inúmeros os fatores que podem à obesidade, inclusive os genéticos. Confira abaixo alguns deles:

* Sistema nervoso: atua nas situações de depressão, ansiedade, déficit de atenção, compulsão e muitas outras situações. Atua por tirar o foco sobre a dieta e pelo aumento de hormônios como a cortisona, adrenalina e insulina, que aumentam tanto o apetite quanto alteram as preferências alimentares.

* Composição de bactérias intestinais: Sabe-se hoje que há conjuntos de bactérias intestinais que engordam e conjuntos de bactérias que nos mantém magros. Há dietas e prescrições de lactobacilos que colaboram para manter esse equilíbrio.

* Hormônios: tem seu papel nesta doença. Entre eles se destacam: tireoidianos, pancreáticos (insulina e glucagon), adrenais (cortisona e adrenalina) e os ovarianos e testiculares.

* Hábitos errados: pouca ingestão de cálcio ou poucas horas de sono também colabora para não atingirmos o peso necessário. “Há hábitos que funcionam também como gatilhos. Uma vida social muito intensa ou a necessidade de relaxar ao chegar em casa após um dia de trabalho e utilizar a comida com ritual do descompromisso com as tarefas do dia são exemplos clássicos que aumentam as chances de obesidade”, diz Dr. Joffre.

* Dieta Errada: tirar totalmente alimentos que ingerimos por hábito, fatores psicológicos ou hipotalâmicos, isto é, aqueles que não conseguimos deixar de comer, é fazer com que a dieta não consiga ser mantida. É preciso buscar o equilíbrio. Uma dica é estabelecer dietas com aporte correto de fibras que consigam diminuir a velocidade de absorção dos carboidratos.

* Atividade Física: sempre será importante na manutenção da massa muscular, que mantém um gasto metabólico adequado e uma estética que mais nos agrada. Segundo dr. Joffre, “saber distribuir bem as horas das refeições e lanches é importante, pois ajuda tanto a incrementar a perda de peso como também a conseguir melhores resultados dos exercícios”.

* Autoestima: precisa ser estimulada, medicada se necessário, para que cumpra seu papel em nos manter responsáveis pela imagem que queremos.

TRATAMENTO:

Para o endocrinologista e nutrólogo dr. Joffre Nogueira Filho, um dos segredos do tratamento da obesidade é, primeiramente, saber respeitar e encarar as dificuldades do próprio paciente.

“O paciente a ser tratado é um ‘pacote’ que vem com vícios, alterações de humor, estilo de vida, escorregadas na dieta, etc. E temos de tratar esse pacote como ele é. Não adianta acreditar que desta vez ele irá resistir à tentação se em todas as outras vezes não conseguiu. Que desta vez terá mais força de vontade do que nos vários regimes anteriores. Não adianta fazer de conta que ele vai conseguir passar o resto da vida comendo grelhados e salada. Os que conseguem não vão ao meu consultório para perder peso, já são magros”, explica.

O especialista ainda enfatiza: “Se o paciente não consegue fazer a dieta, apesar de ter sido elaborada segundo suas sugestões e ser bem equilibrada, conclui-se que não é uma boa dieta para ele e precisa ser alterada. A dificuldade em segui-la deve ser dividida com o médico e com a nutricionista. Eles são profissionais treinados para ajudar o paciente. Não é um problema só dele”.

Para finalizar, Dr. Joffre ressalta a importância de se pesquisar as alterações que faz com que o paciente engorde, como medicações tomadas para outras doenças, causas adquiridas, variações hormonais, entre outros.
 
 

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