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Pelo direito de viver mais com qualidade de vida

Dr. Elge Werneck

Somos a favor do progresso e do desenvolvimento da ciência brasileira. Queremos que o país avance e atravesse estevale entre a pesquisa científica de base e os estudos clínicos. Nós já figuramos entre os 15 países com maior produção científica no mundo, mas o fato é que os projetos não avançam. Há alguns meses acompanhamos a discussão gerada com a fosfoetanolamina, substância química anunciada como cura para diversos tipos de cânceres, que escancara essa situação, esbarrando em burocracias e na falta de financiamento para seguir além da pesquisa de base. Com a polêmica criada em torno da droga, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) iniciou rapidamente um trabalho com grupos de pesquisa para aprofundar os estudos que deveriam estar em andamento.

Torcemos para que os resultados comprovem benefícios reais, mas não podemos esquecer da situação atual do tratamento do câncer no país: são esperados mais de 500 mil novos casos em 2016. A maioria desses pacientes não exercerá seu direito dereceber o melhor tratamento disponível, devido às dificuldades de acesso a terapias modernas. Há um universo de drogas já testadas e aprovadas, com reais benefícios em diversas patologias e que, infelizmente, não estão disponíveis para a população brasileira que depende dos serviços públicos. Um dos vários exemplos disso foi a negativa da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), em outubro do ano passado, à inclusão da droga cetuximabe, dentre outras, no Sistema Único de Saúde (SUS). Aprovado pelo FDA em 2009, o medicamento já beneficia milhares de pacientes com câncer colorretal (CCR) metastático em todo o mundo, tendo sua segurança e eficácia comprovadas clinicamente.

O câncer colorretal é o segundo mais prevalente em mulheres e terceiro entre os homens. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o número de novos casos da doença deve ser superior a 32,6 mil e as mortes devemchegar a 15 mil por conta do diagnóstico tardio ou falta do tratamento adequado aos pacientes. Por outro lado, esse tipo de câncer é uma das neoplasias malignas mais passíveis de cura, podendo chegar a 95% quando descoberto no início.

Embora saibamos desses números e tenhamos na colonoscopia um exame bastante eficiente no rastreamento e diagnóstico do câncer colorretal, estamos muito distantes de um cenário ideal. A baixa disponibilidade desses exames e dos tratamentos ideais são responsáveis pela manutenção da alta mortalidade. Diferentemente do que ocorre aqui, nos Estados Unidos, as mortes decorrentes dessa neoplasia vêm caindo há mais de duas décadas, justamente pelo amplo acesso ao que nos falta. No Brasil, ainda estamos engatinhando.

Apesar de termos aprovados pela agência reguladora medicamentos de ponta para uma medicina de precisão, a população tem sérias limitações para esse acesso. Atualmente, mais de 12 mil pessoas com câncer colorretal metastático estão em tratamento pelo SUS com drogas que nem sempre são a melhor opção. Aproximadamente metade delas poderia se beneficiar do cetuximabe, que ainda não é fornecido pelo Governo. Essa droga, nesse cenário, poderia prolongar a sobrevida, além de facilitar, em alguns casos, a ressecção de metástases. Uma ferramenta importante na luta contra essa doença.

A ênfase da discussão aqui demonstrada é apenas o panorama do câncer de colón e reto, masfazer a mesma análise para tantas outras neoplasias como mama, pulmão, melanoma, rim dentre outros, nos traria a realidades bastante semelhantes a essa. Há urgência em uma melhor compreensão de todo o sistema de saúde, vista a necessidade em se otimizar a oferta de métodos diagnósticos e terapêuticos de forma mais ampla e universal. Nossos pacientes metastáticos também têm o direito de viver mais e melhor: a chance de prolongar uma vida, de realizar novos sonhos. Essa luta é de todos nós.

Dr. Elge Werneck é médico oncologista do Hospital 9 de Julho e do Hospital Heliópolis/SP.
 

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