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O que celebramos neste 30o Dia Mundial sem Tabaco?

Dr. Derek Yach (*)
 
Ao comemorar o 30o Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio último, precisamos reconhecer quais progressos temos alcançado para reduzir os índices de fumantes que não conseguem largar o vício. Ainda enfrentamos muitos desafios na missão de exterminar esta epidemia global. Apesar de muitos acreditarem que o número de fumantes está diminuindo, ainda temos 1 bilhão de usuários no planeta, o mesmo número registrado há uma década, o que é decorrente de uma combinação do crescimento populacional e o aumento do consumo em diversas regiões do mundo. Ou seja, 1 bilhão de pessoas poderão morrer neste século por causa do cigarro se este cenário se mantiver. E isto não é aceitável.
 
O que mais podemos fazer e que outroscaminhos podemos adotar?
 
Tratar o problema como temos feito – através de regulamentações, impostos e táticas de terror – trouxe até aqui resultados valiosos. Mas estas ações não são suficientes. Precisamos olhar o problema a partir da perspectiva do próprio fumante. Eles precisam contar com outras opções que os ajude a parar de fumar. Milhões de usuários poderiam se beneficiar de pesquisas voltadas a criar estratégias para redução dos danos causados pelo cigarro.
 
A redução de danos, aliás, está inclusa no preambulo do Tratado Mundial para Controle do Tabaco (FCTC), da Organização Mundial da Saúde, mas não temos focado esforços nesta direção.  Se queremos idealizar um mundo sem cigarro, precisamos complementar as ações em andamento com estratégias e pesquisas inovadoras.
 
Quando damos um passo atrás e olhamos para questão do cigarro através das lentes dos fumantes, vemos que muitos continuam porque têm prazer no ato de fumar. Eles estão cientes das consequências danosas do vício, mas não conseguem largar. Para entender quais são os principais desafios, decidimos ouvi-los através de uma pesquisa realizada pela Fundação para um Mundo Livre de Fumo.
 
Vamos, por exemplo, analisar a situação dos dados apurados no Brasil. Nada menos que 84% dos fumantes brasileiros se consideram viciados e 96% reconhecem que o cigarro causa danos. A maioria considerou estes pontos, entre outros, como o preço dos cigarros, como estímulos para parar de fumar. Entretanto, 57% dos que disseram ter tentado largar afirmaram que precisariam de ajuda para conseguir.
 
O Brasil liderou o Tratado Mundial para Controle do Tabaco na América Latina para implementar e promover as medidas no País. Os países vizinhos devem se beneficiar da experiência brasileira no combate ao fumo com o objetivo de largar e reduzir danos. Devemos, assim, aproveitar para centrar nossas estratégias em ações eficazes para regulamentação e desenvolvimento de produtos e pesquisas que funcionem como ferramentas para apoiar os fumantes no desejo de excluir o cigarro de suas vidas.
 
Neste Dia Mundial sem Tabaco vamos continuar ouvindo os fumantes para entender o que os leva a fumar, que desafios enfrentam quando tentam parar e o que pode ajudá-los a atingir seus objetivos de reduzir os danos causados pelos cigarros. Se assim o fizermos, aumentaremos nossas chances de acabar com o fumo no mundo e quem sabe lembraremos desta data somente como uma celebração do passado.
 
 
Dr. Derek Yach, especialista em saúde global e defensor do antitabagismo há mais de 30 anos, é o Presidente da Foundation for a Smoke-Free World (Fundação para um Mundo Livre de Fumo). Ao longo de sua carreira, apoiou e liderou pesquisas e o desenvolvimento de políticas de cessação do tabagismo, além de ser forte defensor das políticas de redução de danos, exigindo maior ênfase em tais medidas desde 2005. Ele também é um defensor apaixonado da promoção da saúde e prevenção de doenças e está avançando sua carreira na Foundation for a Smoke-Free World.
 
Dr. Yach é um ex-diretor de gabinete e diretor executivo de doenças não transmissíveis e saúde mental da Organização Mundial de Saúde (OMS), onde esteve profundamente envolvido com o desenvolvimento do Tratado Mundial para Controle do Tabaco (FCTC).
 

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