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Nutrição e diabetes tipo 2

Daniel Magnoni  

Aproximadamente 8,3% da população adulta mundial convive com diabetes tipo 2, sendo que a estimativa para 2035 que 13,6% da população seja portadora da doença. Assim, investimentos na prevenção e gestão eficaz do diabetes tornaram-se imperiosos. 

Embora por muito tempo uma dieta pouco saudável tenha sido considerada um dos principais contribuintes para o desenvolvimento do diabetes tipo 2, somente nas últimas duas décadas as evidências foram amplamente acumuladas, tanto em estudos prospectivos observacionais quanto em ensaios clínicos randomizados. 

O diabetes tipo 2 está diretamente relacionado ao excesso de peso e alto consumo de gorduras na dieta. Manter um peso adequado e uma alimentação balanceada favorece o controle da glicemia e pode retardar o aparecimento da doença. 

Nessas duas últimas décadas, evidências convergiram para apoiar a importância de nutrientes, alimentos e padrões alimentares individuais na prevenção e no controle do diabetes tipo 2. A qualidade das gorduras e carboidratos consumidos é mais crucial do que a quantidade desses macronutrientes. Dietas ricas em ômega-3, cereais, frutas, verduras, legumes e sementes, como nozes, amêndoas e castanhas; moderado consumo de álcool; menor ingestão de grãos refinados, carnes vermelhas ou processadas e bebidas adoçadas com açúcar mostraram redução do risco e melhora do controle glicêmico e perfil lipídico desses pacientes. 

Com ênfase na qualidade geral da dieta, vários padrões alimentares como a dieta do Mediterrâneo (azeite de oliva, peixes, oleaginosas, frutas, legumes, grãos integrais, leguminosas, vinho tinto, queijos e iogurtes), dietas com baixos índices glicêmicos, restrição moderada de carboidratos e dietas vegetarianas, adaptadas às preferências alimentares pessoais e culturais e às necessidades calóricas adequadas para controle de peso, auxiliam na prevenção e no controle do diabetes tipo 2. 

Para alcançar a adesão em longo prazo a esses planos de dietéticos, os indivíduos precisam ter flexibilidade nas escolhas alimentares, sem comprometer a qualidade global da dieta. 

As recomendações variam em quantidades de macronutrientes para o controle do diabetes tipo 2. Nas diretrizes atuais, metas individualizadas são fornecidas e foca-se na qualidade da ingestão desses nutrientes. Assim, atualmente, a Associação Americana de Diabetes recomenda a individualização da distribuição de macronutrientes com base nos padrões atuais de alimentação, preferências e metas metabólicas. 

Hábitos alimentares saudáveis, que incluem maior oferta de alimentos naturais e pouco processados, menor consumo de gorduras, sódio e bebidas alcoólicas previnem hipertensão, hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia e contribuem para manter níveis glicêmicos normais. Assim, observa-se que a dieta, tanto para prevenção como para controle dessa doença, tem muitos alimentos de origem vegetal. Para tal, faz-se necessário que o solo tenha quantidades suficientes de nutrientes para as plantas, necessitando, na maioria das vezes de adubação. 

Embora muito progresso tenha sido feito no desenvolvimento e na implementação de recomendações nutricionais para diabéticos, esforços e políticas mundiais combinados ainda são necessários para se atingir essas metas e proporcionar melhor controle da doença. 

Daniel Magnoni é consultor da iniciativa Nutrientes para a Vida (NPV), diretor de Serviço de Nutrologia e Nutrição Clínica do Hospital do Coração – Hcor, Mestre em cardiologia pela Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP; especializado ainda em Clínica Médica, Nutrologia e Nutrição Parenteral e Enteral pela Associação Médica Brasileira – AMB / Conselho Federal de Medicina – CFM .

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