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Cálculo na urina tem aumentado entre as mulheres, e o problema que atinge 10% da população

As pedras na urina ou cálculos urinários, como são mais conhecidos por aí, se referem a um problema cujo nome científico é litíase urinária. Ele ganhou evidência recentemente numa fala do presidente Jair Bolsonaro, quando o governante comunicou que faria uma cirurgia para a retirada de um cálculo "de estimação". Falamos de uma situação que não é grave — e o procedimento para remoção, relativamente simples —, mas que demanda atenção médica.

A litíase urinária é mais comum do que se imagina e afeta um em cada dez brasileiros. Notamos um aumento de 20% de casos nos últimos dez anos, com incidência predominante em homens na faixa de 30 a 45 anos, mas também em mulheres e crianças. Observamos, aliás, um crescimento nos episódios detectados em mulheres, e os números por gênero estão praticamente se equiparando. A América Latina é particularmente afetada pela condição.

É importante estarmos de olho em alguns fatores do estilo de vida, que podem aumentar o risco do problema. Me refiro aqui a excesso de peso e maus hábitos alimentares como ingestão exagerada de sal, proteína animal e produtos industrializados e baixo consumo de água e líquidos. A mudança de hábito se torna ainda mais crítica se pensarmos que a doença é recidivante, ou seja, em 40 a 50% dos casos, o indivíduo volta a ter o problema no decorrer da vida.

Com isso em mente, o acompanhamento médico e o estabelecimento de estratégias preventivas fazem a diferença. Esse plano inclui hidratação adequada, ajustes na dieta e, se necessário, alguns tipos de medicamento.

O envelhecimento também pode elevar a propensão de uma situação específica que é a pedra na bexiga, sobretudo entre os homens. O aumento da próstata dificulta a micção e o resíduo de urina retido na bexiga após urinar pode sediar a agregação de cristais e a consequente formação das pedras.

Pedras pequenas geralmente são eliminadas espontaneamente, porém aquelas maiores requerem tratamento cirúrgico. A abrangência e o impacto da litíase vêm chamando a atenção dos urologistas e das sociedades médicas mundo afora, e nos dedicamos a formular orientações e melhores práticas para prevenção e tratamento da doença. A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) tem um departamento específico voltado à condição.

Nesse contexto, novas técnicas e equipamentos são desenvolvidos com o intuito de minimizar a repercussão do tratamento cirúrgico, tornando-o mais confortável e com recuperação mais rápida. Outro ponto relevante é que os custos das internações são altos no Brasil — ainda mais agora com a crise sanitária com a qual convivemos —, gerando um gasto estimado de 29 milhões de reais ao ano. Nos Estados Unidos, para se ter uma ideia, os casos da doença registrados nos últimos 15 anos cresceram 70%, perfazendo mais de 2 milhões de pessoas acometidas e representando um custo de 2 bilhões de dólares.

As pedras podem trazer uma série de transtornos para os indivíduos, como sangramento na urina, infecções urinárias, dor e até perda da função do rim, além do comprometimento da qualidade de vida. Quando necessitam de tratamento cirúrgico, quase 100% dos casos são resolvidos por endourologia, área que se vale de técnicas pouco invasivas que utilizam câmeras e laser. Essa modalidade oferece uma excelente recuperação, com pouca dor e baixo índice de complicações.

O procedimento lembra aquele destinado às pedras nos rins, tratadas por endoscopia via uretral — nesse caso, as pedras podem ser removidas de forma integral ou fragmentadas com laser. Convém ressaltar que, no caso dos cálculos na bexiga, além da remoção das pedras, é essencial melhorar o esvaziamento da bexiga e rever aqueles outros hábitos para prevenir a formação de novos empecilhos no futuro.

Dr. Antonio Corrêa Lopes é urologista do HCor, responsável pelo Departamento de Litíase e Endourologia da Sociedade Brasileira de Urologia seccional São Paulo e Chefe do Grupo de Litíase Urinária e Endourologia da Faculdade de Medicina do ABC.

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