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Início de pós-pandemia: como fica a classe neurocirúrgica?

Como especialista bastante vivido na prática de nossa especialidade, estou constantemente preocupado com o rumo que a nossa profissão caminha em nosso país. Esta inquietação tem aumentado, sobretudo nos últimos seis anos, tendo atingido o seu ápice durante esses tempos de isolamento social. Preocupa-me, principalmente, a deterioração acelerada que sofre nosso exercício profissional, seja em oportunidades de trabalho, na questão de honorários e na infraestrutura necessária para nosso exercício profissional.

Por conta do cancelamento ou adiamento de cirurgias consideradas não eletivas durante a pandemia, percebi um grande acúmulo de pacientes esperando por tratamentos que os colocou em risco de progressão da doença, pois como sabem, procedimentos passaram a ser racionados por serem considerados eletivos, como se as patologias neurocirúrgicas não traumáticas fossem pouco mórbidas ou mortais. Assim, os neurocirurgiões brasileiros ficaram, em muitos casos, sem conseguir tratar dos seus pacientes durante muito tempo.

Mesmo um ano e meio após a OMS (Organização Mundial de Saúde) declarar pandemia do novo coronavírus, a maioria dos países ainda está tentando se recuperar do impacto (sanitário e econômico) que as medidas adotadas de restrições causaram em nossa sociedade, o que é perfeitamente compreensível devido ao cenário atípico provocado pelo novo vírus.

Durante este período, os casos considerados não emergentes foram cancelados ou adiados com a intenção de manter leitos e pessoal disponível para o aumento esperado de pacientes que foram contaminados e para evitar que os profissionais de saúde também contraíssem o vírus. Esse cancelamento de casos foi observado em todo o mundo e estava de acordo com as recomendações do Colégio Americano de Cirurgiões e Centros de Serviços Medicare e Medicaid.

No entanto, haviam preocupações constantes dentro de nossa categoria profissional, sobre os pacientes em condições não emergentes serem negligenciados nesse período de pandemia. Caso o atendimento fosse negado por muito tempo, havia o risco dessas pessoas apresentarem progressão da doença neurológica e, portanto, uma alternativa para o adiamento das cirurgias eletivas era necessária.

Muitos neurocirurgiões, aqui me incluo, sugeriram que o melhor caminho a seguir seria a retomada dos trabalhos, tomando todos os cuidados sanitários necessários, juntamente com a realização do teste RT- PCR, pelo paciente e toda equipe médica envolvida.
Nossa experiência mostra que os protocolos adequados baseados em evidências, a criação de instalações de teste COVID adequadas e o fornecimento de amplos equipamentos de proteção individual são fundamentais para reiniciar cirurgias de todos os casos, eletivas e não eletivas.

Por este e outros nobres motivos, eu, como candidato à presidência da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia e o Dr. Artur da Cunha, como candidato à vice-presidência, me coloco à postulação de presidir a SBN nas próximas eleições (2023-2024). Estamos felizes e orgulhosos por poder representar a neurocirurgia brasileira para defender e fazer valer todos os nossos direitos como profissionais da saúde.

Paulo de Carvalho, MD, PhD - Neurocirurgião e Professor Titular de Neurocirurgia da UNIRIO, com expertise em cirurgias minimamente invasivas da coluna, endoscopia e laser da coluna vertebral. Fundador da Neurocirurgia e do Centro de Coluna e Dor do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).

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