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“O câncer de mama é um relevante problema de saúde pública”

Dra. Laura Penteado
 
Todos os anos, campanhas de conscientização sobre a importância do assunto são realizadas no Brasil, a fim de minimizar os efeitos e impactos, trazendo mais conhecimento e incentivo para que a mulher procure o diagnóstico precoce. Porém, com o covid-19, infelizmente, muitas pessoas deixaram os exames de rotina de lado, postergaram o diagnóstico e até mesmo tratamentos, com medo de se exporem ou mesmo contraírem o vírus. 
 
No Brasil, o INCA – Instituto Nacional de Câncer estimou que cerca de 66 mil novos casos serão diagnosticados em 2021, contra 66.280 registrados em 2020, o que representa uma taxa de incidência de 43,74 casos por 100.000 mulheres. Na atualidade, é uma das neoplasias malignas que mais acomete mulheres em todo planeta. 
 
O câncer é uma doença em que as células anômalas se multiplicam, desordenadamente, e tem o poder de invadir outros tecidos. Essa célula anômala é gerada quando uma célula em divisão/ replicação apresenta um dano ao DNA. Este dano pode ter origem genética, ou seja, o indivíduo herdou esse DNA ou devido à alteração provocada durante exposição a algum evento ou substância tóxica. 
 
No câncer de mama, as síndromes hereditárias representam apenas 10% dos casos. A grande maioria deles está associada a transformações celulares adquiridas durante a vida. Sabe-se que a ação hormonal nas mulheres tem grande participação nesse desarranjo celular. 
 
Ter filhos, amamentar, não usar anticoncepcional hormonal e não realizar terapia de reposição hormonal são fatores protetores para as mulheres. No que diz respeito aos fatores relacionados ao estilo de vida: como a ingestão de bebida alcoólica, sobrepeso, obesidade, sedentarismo e a exposição à radiação ionizante são fatores correlacionados ao aumento de taxas da doença. 
 
Portanto, reduzir o consumo de álcool, praticar atividade física e ter uma alimentação saudável para manter-se em um IMC (índice de massa corpórea) adequado são hábitos recomendados para evitar a doença. Quando falamos em prevenção ao câncer de mama, existem dois tipos de prevenção:
 
Prevenção primária: medidas e ações para se evitar o surgimento do tumor (como as medidas citadas acima)
Prevenção secundária: realização de exames de rastreamento para a detecção precoce da doença, ou seja, em estádios iniciais. 
O câncer de mama apresenta vários estágios da doença, que variam desde tumor inicial microscópico, tumores acometendo toda a mama, e tumores que invadem outros órgãos, como tecido linfático, fígado, pulmão e ossos. 
 
O tratamento é composto por um conjunto de terapias empregadas sequencialmente. Quais dessas são utilizadas, depende do subtipo do tumor, tamanho e se há invasão de outros tecidos.  Com evolução da tecnologia e de exames de maior precisão para classificação dos subtipos tumorais do câncer de mama, os tratamentos avançaram da quimioterapia, para terapias-alvo (tratamento focado em um marcador específico do tumor): terapias com bloqueadores da proteína HER2.
 
Imunoterapia: drogas que otimizam a resposta imunológica da paciente e favorecem a destruição de células tumorais. Contudo, esses novos medicamentos apresentam alto custo e ainda não estão disponíveis em todos os centros de oncologia, principalmente do SUS. 
 
Se diagnosticado precocemente, o câncer de mama apresenta uma alta taxa de cura (>90% em 5 anos). Essa taxa cai para aproximadamente 20% quando o diagnóstico é feito em estádios mais avançados da doença. Então, o melhor tanto para sucesso do tratamento, como para redução de custos de tratamento é o diagnóstico do tumor em estágios bem iniciais, antes mesmo da mulher notar qualquer diferença em sua mama.
 
Como método de detecção precoce (rastreio) do câncer de mama, a Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda a realização de mamografia anual para todas as mulheres acima de 40 anos. É o exame mais indicado para o rastreamento do câncer de mama da população geral. Atualmente, com os avanços da tecnologia, como o exame 3D, que apresenta maior sensibilidade e deve ser realizado em conjunto com a mamografia (exame 2D) sempre que possível. 
 
Mulheres com histórico familiar de câncer de mama são consideradas pacientes de alto risco para desenvolver o tumor e por isso necessitam de um acompanhamento e de uma investigação mais detalhada. Recomenda-se que essa mulher realize ressonância magnética anual após os 25 anos  e mamografia após os 30 anos. 
 
Geralmente, em famílias com mutações genéticas que favorecem o aparecimento do câncer de mama (por exemplo, mutação BRCA 1 e 2) o tumor tende a surgir em idade mais precoce do que nas gerações anteriores. Mulheres classificadas como alto risco para câncer de mama: 
 
Dois ou mais parentes de primeiro grau (pais, irmãs ou filhas) ou de segundo grau (neta, avó, tia, sobrinha, meio-irmão) com câncer de mama e/ou de ovário
• Câncer de mama antes dos 50 anos (pré-menopausa) em um parente de primeiro grau

• História familiar de câncer de mama e de ovário

• Um ou mais parentes com dois tumores (de mama e de ovário ou dois tumores mamários independentes)

• Parentes do sexo masculino com câncer de mama
 
Mesmo realizando a mamografia, a mulher deve atentar-se a alguns sinais e procurar um mastologista se: alterações no formato da mama: abaulamentos, inversão do mamilo, retração de pele, saída de secreção transparente ou com sangue pelo mamilo (secreções amareladas, esverdeadas ou amarronzadas tendem a ser benignas). Qualquer alteração notada de diferente na palpação/ autoexame das mamas: nódulos, áreas endurecidas.
 
O melhor para vencermos esta doença é o diagnóstico precoce e para isto a realização rotineira de mamografia é muito importante. Cuide-se: procure um mastologista e faça sua mamografia.
 
Dra. Laura Penteado é mastologista, obstetra, ginecologista e diretora médica da Theia.

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