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Dia Mundial da Saúde

Odair Albano
 
Para curar o corpo humano, e necessário se ter um conhecimento da totalidade das coisas” (Hipócrates)

Comemoramos em sete de abril o “Dia Mundial da Saúde” e a data de criação da Organização Mundial de Saúde, órgão da ONU para assuntos de saúde, que têm como missão propor medidas que permitam a melhoria da qualidade de vida e que proporcionem um melhor estado de saúde da população mundial. A Constituição da OMS define saúde como “um estado completo de bem estar físico, psíquico e social”, não somente a ausência de doenças.
Nesse contexto, um dos problemas que merece atenção envolve a crescente crise mundial na área de recursos humanos na saúde. E que envolve um conjunto de questões, que passa pelo processo de formação e qualificação profissional, de condições de trabalho, de carreira e remuneração, de estruturação das equipes, de fixação na atividade, entre outros. Agravada pelo estresse contínuo e pela necessidade permanente, de adaptação às mudanças no processo de trabalho, provocadas pelo aumento da demanda e pela incorporação tecnológica e evolução científica.
Mas a data é também a oportunidade de homenagearmos esses profissionais da saúde, que, mesmo enfrentando todos estes obstáculos, exercem suas atividades, lidando com o bem maior que é a vida, com dignidade, competência e amor ao próximo.
Por outro lado, do ponto de vista do gerenciamento, a manutenção da saúde das pessoas continua sendo um grande desafio para todos os governos. Vivemos, hoje, uma contradição no mundo, que merece reflexão: apesar da incorporação de novos conhecimentos científicos, dos avanços tecnológicos, não disponibilizados para a maior parte da população mundial, ainda se morre, na maioria das vezes, de doenças evitáveis. Dados recentes da OMS mostram que apenas cinco condições ligadas aos hábitos e comportamento como hipertensão, tabagismo, hiperglicemia, sedentarismo e sobrepeso são responsáveis por uma e cada quatro mortes que ocorrem no mundo. Para enfrentar esse desafio, todos os paises, de diversas formas, estão tentando reformular os seus sistemas de saúde. Mas são poucos os que conseguiram até o momento, provendo as necessidades essenciais aos cidadãos, construir um adequado modelo de atenção à saúde, que valorize as ações de prevenção e promoção da saúde e não apenas cuide da doença. E que consiga criar na população a consciência da responsabilidade pelos cuidados pessoais, com mudanças de hábitos e do estilo de vida, que possam propiciar impacto nos determinantes de saúde individual e coletiva.
Somos hoje 6,8 bilhões de habitantes; nascem 138 milhões e morrem 60 milhões a cada ano; a maioria destas mortes por doenças evitáveis ou tratáveis. O que permite uma expectativa de vida ao nascer, de mais de 80 anos nos países desenvolvidos, alguns chegando aos 100 anos, o dobro do encontrado em países pobres da África.
Dados da OMS registram que, a cada ano, 3,3 milhões de crianças nascem mortas e 11 milhões morrem com menos de cinco anos; e mais de 500 mil mortes maternas, maioria delas evitáveis, em decorrência de problemas de gravidez ou parto. A AIDS, a tuberculose e malária, juntas, ainda são responsáveis por seis milhões mortes por ano. São nove milhões de novos casos de tuberculose, com 1,5 milhões de mortes por ano, doença curável, que se torna agressiva quando acomete desnutridos ou com deficiência do seu sistema de defesa, como nos casos de portadores do vírus HIV.
Outro fato preocupante é o crescente aumento das doenças cardiovasculares; principal causa de morte no mundo, fruto das mudanças nos hábitos de vida e que vêm de forma acelerada acometendo também as mulheres. E o câncer que teve a sua incidência dobrada nos últimos 30 anos e são responsáveis 13% das mortes no mundo. Incidência determinada pelo envelhecimento da população, mas também por outros fatores de risco, que poderiam ser evitados, e com os exames preventivos para um diagnóstico e tratamento precoce.
No Brasil, reproduzimos boa parte desta realidade mundial. Convivemos como um País de Primeiro e de Terceiro mundo, pela acentuada desigualdade, apesar dos avanços obtidos nos diversos setores. Acumulam-se necessidades básicas, resultantes de um processo de desenvolvimento injusto, elemento gerador e multiplicador da exclusão social. O que nos permite concluir, neste contexto, que o País se caracteriza por ser mais injusto do que pobre, com conseqüências na área social e em especial na saúde da sua população.
 
Odair Albano é médico, administrador em saúde e ex-secretário de Saúde de Campinas (SP).
 
 

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