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A mulher moderna diante da infertilidade

Dra. Luciana Leis
 
Até pouco tempo atrás, ter filhos e exercer o papel de mãe era a principal atividade e fonte de valorização de muitas mulheres, quase que “uma profissão”. Porém, com o advento da Revolução Industrial elas passaram também a serem exigidas no mercado de trabalho e se deram conta de que outros papéis e lugares poderiam ocupar. Assim, ampliaram, significativamente, o universo feminino com novas possibilidades de existirem e se sentirem produtivas.
Atualmente, a mulher moderna busca independência financeira, estuda e trabalha no que gosta, cuida do corpo para se sentir atraente, vive sua sexualidade de modo a buscar prazer, discute temas complexos com inteligência, dentre muitas outras coisas. Com tantos avanços na esfera feminina, a ilusão criada é a de que se pode tudo, “desde que se batalhe para isso”.
No entanto, quando escolhem o momento certo de engravidar e não conseguem, toda a certeza de “poder tudo” cai por água abaixo. É muito difícil lidar com a falta de controle e com o sentimento de impotência que essa experiência promove.
Muitas mulheres passam a se perceber como imperfeitas, incapazes e “defeituosas”, como se a única fonte de valorização estivesse agora no fato de poder ser mãe, desconsiderando, assim, todas as conquistas alcançadas até o momento. Há um estreitamento da percepção do todo, em função da frustração e da ferida narcísica que se abre com a infertilidade.
Pensar em tratamentos de reprodução assistida para contornar essa dificuldade também não é nada fácil, uma vez que o desejo é de ter filhos como todas as outras pessoas têm. Buscar tratamentos também implica em assumir para si o fato de que realmente há um problema nessa área e de que o filho talvez não venha da forma antes idealizada.
 
Segredos bem guardados
Grande parte das mulheres que opta por realizar tratamentos para engravidar o faz de maneira escondida, velada, quase “como se fosse uma vergonha” ter filhos através destes meios.
É fato que um tratamento de reprodução humana é algo íntimo e que não necessita de divulgação, mas o que percebemos, antes de tudo, é um certo pudor em assumir para o outro e para si essa nova maneira de conceber um filho.
Contar para a criança que ela foi gerada através de uma técnica de reprodução assistida é outro problema. Muitos pais não vêem a necessidade deste fato ser revelado ao filho, como se isso não fizesse parte da história daquela criança. Há um certo receio em revelar esse fato ao filho e este se sentir diferente dos outros, “anormal”...
Na verdade, esses receios são frutos das vivências mal resolvidas dos pais com relação à infertilidade e que acabam sendo projetadas no filho.
Acreditamos que numa história de luta e de desejo intenso para que o filho seja possível, complemente a relação, integre a família, ele é motivo de orgulho e ensinamento para a próxima geração batalhar por seus sonhos e superar dificuldades, independentemente da maneira como foi gerado.    
 
Dra. Luciana Leis é psicóloga. É especializada no tratamento de casais com problemas de fertilidade.
 

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