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Mulher de 72 anos morre 18 meses após dar à luz

Prof. Gil Lúcio Almeida
Saiu no Fox News uma reportagem de Colleen Cappon noticiando que uma mulher de 72 anos morreu devido a uma gravidez. Devi Lohan e o marido Balla pediram um empréstimo de cerca de 5 mil reais e fizeram uma fertilização in vitro, o famoso bebê de proveta.
Quase como um milagre, nasceu Naveen, em Baddhu Patti, na Índia, depois de uma cesárea que levou à ruptura do útero, seguida de bastante sangramento interno. Acamada durante 18 meses, sem conseguir se recuperar da cirurgia e sem forças ou energia para cuidar de Naveen, a mãe faleceu.
O caso acendeu um debate na Índia e em várias partes do planeta. Quando fica tarde demais para submeter o corpo feminino ao desejo da maternidade? A mãe se foi com a sensação de dever cumprido, pois deu o único herdeiro a seu marido. Sabia que estava morrendo, mas foi com a consciência de que tinha valido a pena continuar vivendo em Naveen. O pai alega que não foi informado dos riscos, mas está cheio de orgulho ao ver o herdeiro.
Uns poderão argumentar que se Sara deu um filho a Abraão aos 90 anos de idade (Gênesis, capítulo 17, versículo 17), por que Devi Lahan não poderia repetir o feito, sendo 10 anos mais nova? Como Sara viveu até os 127 anos, a ruptura do útero de Devi não poderia ter sido um erro médico? Outros defenderam que o Criador seria contra a prevenção da gravidez, mas não estimulou a ingerência do homem para dar uma chance à vida. Terceiros, replicaram apontando que se o Criador não teria dado ao homem a inteligência para vencer os obstáculos da gravidez, se assim não o desejasse. O fato é que do ponto de vista da fé, fica difícil negar a Sara e Devi o direito à maternidade, mesmo que tardia. Se uma mãe é capaz de se lançar instintivamente em direção a um carro em movimento para salvar o seu bebê, como impedir Devi de ver seu útero de 70 anos fertilizado?
As associações médicas criticam o médico, que já ajudou também outra mulher a ser mãe aos 66 anos. A morte de um não justifica a vida de outro, alega a ética dos que se formaram para cuidar da vida. Destacam, baseadas em achados científicos, que a gravidez em mulheres acima dos 50 anos, aumenta muito o risco de morte da mãe e/ou do feto e que também é grande o risco de malformação, doenças e disfunções no recém-nascido. Especialistas em educação mostram preocupação com o desenvolvimento psíquico de uma criança sendo criada por idosos. Os registros bíblicos relatam que a idade avançada de Sara e Abraão não foi um fator limitante para o desenvolvimento da prole. Abraão morreu com 175 anos, foi pai de Isaque aos 100 anos, que casou com Rebeca, gerando Jacó e Esaú e, a partir daí, criando o mundo árabe e judaico. Porém, existe a possibilidade de que na idade antiga o ano era menor que o atual.
Para a vida que chega e para a vida que vai nunca é tarde demais. Apesar de o assunto ser polêmico, não precisamos temer ou debater o que há por vir e muito menos decidir quem e quando virão. Basta dar as informações de forma clara e objetiva aos casais e deixá-los decidir os seus destinos. O que não vale é deixar de informar aos futuros pais de idade avançada sobre os riscos que correm e a que estarão submetendo os que chegarem a partir deles.

Prof. Gil Lúcio Almeida é Fisioterapeuta, mestre pela UFSCar, doutor e PhD por importantes instituições norte-americanas. Autor do livro O Engraxate que virou PhD.
Site: www.gillucio.com

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