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Obrigado por não fumar

Dr. José Roberto Jardim

Dia 29 de agosto é Dia Nacional de Combate ao Fumo. Todos sabem que o tabaco não é saudável, mas por incrível que pareça, uma parcela da população ainda não faz ideia do impacto negativo do tabagismo. Hoje, o cigarro é o único produto legal que está associado à morte da metade de seus usuários regulares. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o tabagismo é considerado a principal causa de morte potencialmente evitável em seres humanos e mata uma pessoa a cada seis segundos no mundo. Mesmo com esses números alarmantes, é assombroso pensar que os jovens começam a fumar cada vez mais cedo. Em algumas regiões do país a idade média de iniciantes no fumo é de 10 anos. Estudos científicos mostram que aproximadamente um terço da população mundial acima de 15 anos é composta por fumantes, ou seja, 1,2 bilhões de pessoas. No Brasil, a maioria da população já se conscientizou dos malefícios do cigarro e o tabagismo tem diminuído: de 32% de adultos que fumavam em 1989, hoje já caiu para 17%, graças aos esforços das autoridades e profissionais da área de saúde e da mídia.
O fumante é um dependente químico e está sujeito a 53 doenças. As principais são o câncer de pulmão e a doença pulmonar obstrutiva crônica, conhecida pela sigla DPOC. Esta última é pouco popular, principalmente entre os jovens, mas é uma doença respiratória altamente incapacitante. A doença ainda é confundida com a asma e com a bronquite, mas é bem diferente. A DPOC é caracterizada pela inflamação dos brônquios e destruição dos alvéolos e não tem cura. Ela diminui a capacidade respiratória da pessoa, que com o passar do tempo vai se tornando incapaz de exercer atividades simples do dia-a-dia, como tomar banho, escovar os dentes e caminhar, sentindo muita falta de ar. Ou seja, o paciente vive constantemente com a sensação de afogamento. Segundo o Datasus, no Brasil ocorrem cerca de 33 mil mortes por DPOC por ano, o que corresponde a 110 óbitos por dia, 4,5 mortes por hora ou uma morte a cada 12 minutos. Nos últimos 20 anos o número de casos da doença aumentou 340%, segundo a Associação Latino-Americana do Tórax.
A grande maioria dos portadores de DPOC é formada por pessoas acima dos 40 anos e que fumaram por mais de 20 anos.  O cigarro é reconhecido como o principal fator desencadeante da doença pulmonar obstrutiva crônica. Acredita-se que o tabagismo é diretamente responsável por 85% das mortes por DPOC em todo o mundo. Além do tabagismo, outras causas como fumaça de lenha e poeiras no ambiente de trabalho são responsáveis pelo desencadeamento da DPOC. É preciso que as pessoas fiquem atentas à tosse persistente, falta de ar diária, que piora com a atividade física, e produção de catarro, pois todos esses sintomas podem indicar a presença da doença. A presença destes sintomas deve fazer com que o indivíduo procure um médico e realize uma espirometria, o exame que avalia a função pulmonar.
As crises na DPOC ou a piora dos sintomas são chamadas exacerbações. A cada episódio o paciente perde mais capacidade respiratória e acelera a evolução da doença, o que prejudica consideravelmente a sua qualidade de vida. É um momento crítico, pois significa uma perda irreparável, uma vez que os pulmões não têm mais a capacidade de regeneração.
Ainda não existe a cura da DPOC, mas é possível que o paciente tenha uma boa qualidade de vida com os conhecimentos que já se tem sobre a DPOC. A decisão mais importante e que deve ser tomada imediatamente após o diagnóstico é deixar de fumar. Existem várias técnicas e medicamentos que ajudam o fumante a cessar o tabagismo. Em acréscimo, existem diversos medicamentos que são capazes de melhorar a respiração e diminuir as exacerbações. Atualmente já se sabe, também, que a prática de exercícios físicos regulares é importante para a diminuição da falta de ar.
Dr. José Roberto Jardim, pneumologista e coordenador do Centro de Reabilitação Pulmonar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Lar Escola São Francisco.  

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