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Dia Mundial da Espirometria: exame deve ser feito a partir dos 40 anos

Maria Christina Machado 
O dia 14 de outubro de 2010 marcou o primeiro Dia Mundial da Espirometria, ação que faz parte do Ano do Pulmão, iniciativa do Fórum Internacional de Sociedades Médicas de Doenças Respiratórias. O objetivo da data é alertar sobre a importância da realização do exame de espirometria, especialmente em pessoas acima dos 40 anos. O exame é simples, rápido e não invasivo. O paciente inspira e expira o ar em um aparelho chamado espirômetro, que faz a leitura da velocidade e do volume de ar que é expirado.
Com o resultado desse exame e outras informações sobre o paciente, o médico é capaz de detectar e avaliar a gravidade de diversas doenças respiratórias, como asma, fibrose pulmonar, fibrose cística, sarcoidose e, principalmente, a doença pulmonar obstrutiva crônica, mais conhecida pela sigla DPOC, que atinge especialmente pessoas acima dos 40 anos e tem como causa principal o tabagismo (90% dos casos).
Entretanto, o Brasil ainda enfrenta alguns obstáculos nos cuidados com a saúde pulmonar. Segundo o DATASUS, a região sudeste tem cerca de 400 médicos pneumologistas que atendem pelo Sistema Único de Saúde. Já a região norte possui apenas 45. Estes dados mostram que há uma demanda reprimida para cuidar da saúde dos pulmões em todo o país. Além disso, o número de locais onde esse exame é disponibilizado no SUS é insuficiente para atender à demanda dos pacientes que necessitam realizá-lo e dependem da saúde pública em nosso país - aproximadamente metade dos 11 milhões de habitantes da cidade de São Paulo.
Adicionalmente, os Serviços Públicos de Saúde não dispõem de cargos para técnicos de espirometria nem espirômetros em número adequado. Em recente pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e pelo Datafolha, 83% das pessoas afirmaram nunca terem passado por uma consulta com o pneumologista.  
Estima-se que atualmente a espera para realizar uma espirometria pelo SUS pode variar de quatro a oito meses, e por este motivo, a Associação de Portadores de DPOC vem realizando um trabalho voluntário na rede municipal de Saúde da cidade de São Paulo. Esta parceria, que começou em 2008, permitiu a realização de diversos mutirões de espirometria, totalizando uma média de 5.000 espirometrias/ano. Entretanto, sabe-se que apenas o exame, sem uma avaliação pneumológica especializada, não é suficiente. Por este motivo, em 2007 a Secretaria Municipal da Saúde de SP instituiu 23 Serviços ambulatoriais de referência em pneumologia na sua rede e está se estruturando para disponibilizar exames de espirometria de rotina por telemedicina a partir do segundo semestre de 2011.
Recente relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) mostrou que a principal queixa dos brasileiros é enfrentar a fila para ser atendido em um serviço de saúde. O estudo mostrou que, em todas as regiões do país, esse fator é o responsável pelas situações mais desagradáveis quando se precisa de atendimento médico.
Perante este quadro podemos afirmar que é urgente buscar parcerias entre a iniciativa pública, privada e organizações não-governamentais, para que todos juntos possam encontrar soluções e caminhos alternativos para melhorar a atenção à saúde pulmonar em nosso país. É fato que as doenças pulmonares, na grande maioria dos casos, são diagnosticadas tardiamente e influenciam diretamente na qualidade de vida das pessoas. Por isso, existe uma preocupação crescente dos especialistas em orientar a população sobre a necessidade de incluir o exame de espirometria no check-up anual. Também é preciso aumentar o número de pneumologistas no serviço público de saúde e expandir os centros de excelência, hoje concentrados nas grandes capitais, para outras cidades.
Outra medida importante, promovida pela SBPT, é o processo de certificação dos médicos pneumologistas, para garantir a segurança do exame de espirometria por profissionais qualificados e especializados. Embora a medicina esteja avançando nos tratamentos para doenças pulmonares, em muitos casos, depois de instalada ela é irreversível. Portanto, o diagnóstico precoce e o atendimento integral à saúde pulmonar são os pontos-chave para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e para diminuir os impactos sócio-econômicos das doenças pulmonares.

 
Maria Christina Machado, pneumologista, doutora em medicina pela Unifesp, coordenadora do Laboratório de Doença Pulmonar Avançada da Unifesp e coordenadora do programa Pulmão Paulistano da Secretaria Municipal de Saúde.
 
 

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