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Azia e antiácidos: os efeitos colaterais da supressão ácida

Os antiácidos estomacais mais eficientes são chamados de inibidores da bomba de prótons (IBP)

Um estudo publicado no Journal of the American Medical Association analisou dados de cerca de 26.000 pacientes na Califórnia que foram diagnosticados com deficiência de vitamina B12. Os pesquisadores queriam saber se os medicamentos bloqueadores de ácido estomacal estavam associados com os baixos níveis de vitamina B12. A resposta foi "sim". Os pacientes que tomam bloqueadores ácidos mais eficientes, por dois anos ou mais, apresentaram um aumento de 65% no risco de se tornarem deficientes de vitamina B12.

A vitamina B12, também chamada de cobalamina, é encontrada em ovos, carnes, aves e peixes. "É uma vitamina de alta manutenção e se não receber atenção especial, ela poderá ter dificuldade em ser absorvida pelo corpo. O ácido e as enzimas presentes no estômago liberam a vitamina B12 dos pedaços de frango que ingerimos. Então, a B12 precisa se ligar a uma proteína especial secretada pelo estômago. Essa proteína especial - fator intrínseco - age como o VIV (Very Important Vitamina ) e permite que a vitamina B12 seja absorvida no intestino delgado", explica o gastroenterologista Silvio Gabor.

A vitamina B12 trabalha em conjunto com outra vitamina, o ácido fólico, para ajudar a sintetizar o DNA (dentre outras coisas). Uma pessoa com deficiência de B12 terá dificuldade para produzir glóbulos vermelhos suficientes, o que a deixará anêmica. Essa anemia é denominada de anemia megaloblástica, porque as células vermelhas do sangue que são produzidas são muito grandes. A anemia irá deixar a pessoa fraca e minar sua energia. "Mas baixos níveis de vitamina B12 também pode causar disfunção dos nervos, levando a sintomas como dormência, zumbindo, andar cambaleante, pensamentos confusos e até mesmo demência", observa o médico.

A deficiência de vitamina B12 pode se desenvolver quando o estômago perde a sua capacidade de produzir o fator intrínseco, o que denominamos de anemia perniciosa, mais comum em (mas não limitado a) pessoas de ascendência do Norte da Europa. "Mas a deficiência de B12 também pode se desenvolver em pacientes com baixos níveis de ácido no estômago, como idosos com problemas estomacais, pacientes que fizeram a cirurgia de úlcera gástrica ou duodenal, bypass gástrico para perder peso e milhões de pessoas que fazem uso de medicamentos bloqueadores de ácidos estomacais", afirma Silvio Gabor, que também é professor assistente de Cirurgia Geral e do Trauma da Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro (UNISA).

Os antiácidos estomacais mais eficientes são chamados de inibidores da bomba de prótons (IBP). De acordo com um artigo de 2010, publicado na revista Archives of Internal Medicine, os IBPs são a terceira categoria dentre as drogas mais vendidas nos Estados Unidos. São responsáveis por mais de 113 milhões de prescrições por ano com vendas de quase US$ 14 bilhões (157 milhões de prescrições foram preenchidas em 2012). O artigo aponta que, apesar dos IBPs parecerem medicamentos seguros, no curto prazo, os pacientes, muitas vezes, estendem o tratamento por longos períodos, por conta própria. Estudos descobriram que em 50-70% dos casos, os IBPs são utilizados para fins não aprovados ou em situações em que as medidas não farmacológicas podem fazer mais efeito.

"É preciso compreender que neutralizar a acidez do estômago não é algo assim tão simples, sem consequências. A acidez estomacal não é um erro da natureza. Ma verdade, ela é ?um caldeirão da morte? para os alimentos contaminados com bactérias que rotineiramente ingerimos antes de termos acesso ao saneamento básico", observa o médico.

A intoxicação alimentar é um problema menos grave, hoje, mas a supressão ácida parece aumentar o risco de algumas infecções como diarreia e até pneumonia. Também é associada à deficiência de ferro e ao aumento de fraturas em mulheres na pós-menopausa.

Apesar da popularidade do IBPs, uma pesquisa da Associação Americana de Gastroenterologia com 1.000 indivíduos que tomam estes medicamentos para tratar a azia crônica grave (ou doença do refluxo gastroesofágico - DRGE) descobriu que mais de 55% dos inquiridos continuam sentindo os sintomas de azia que perturbam significativamente sua diária vida.

"Os medicamentos antiácidos trouxeram alívio para a azia e cicatrização da úlcera para milhões de pessoas, mas mudar a acidez do estômago pode abrir portas para outros graves problemas médicos. É preciso pesar prós e contras", alerta o gastroenterologista.

Tratamento da azia

Segundo Silvio Gabor, em vez de considerar o uso de antiácidos, por longos períodos, o paciente deve conversar com seu médico e buscar tratar a doença adotando novos hábitos, tais como:

- Manter um peso saudável e uma rotina de exercícios diários. O excesso de peso pode colocar pressão sobre o abdômen, fazendo com que os sintomas da azia se agravem;
- Prestar atenção à dieta. Alguns alimentos são "gatilhos da azia", tais como produtos lácteos, café, hortelã, pimenta, chocolate, álcool, tomate, cebola e alimentos ricos em gordura. Qualquer refeição pesada pode provocar refluxo, porém, especialmente quando consumida tarde da noite. Alimentos que agravam os sintomas da azia devem ser identificados pelo próprio paciente num diário alimentar;
- Tentar reduzir a tensão. O estresse provoca uma condição chamada de hipervigilância, o que aumenta a sensibilidade à dor;
- Considerar tomar alcaçuz (DGL). Mastigar lentamente dois comprimidos antes de cada refeição ou entre as refeições pode ajudar a acalmar o esôfago;
- Fracionar as refeições, comer pouco, tentar não comer antes de ir para a cama, e quando for deitar, elevar a cabeceira da cama (usar vários travesseiros não dá bons resultados) usando 1 ou 2 tijolos sob os pés da cama;
- Se o paciente faz uso de um antiácido por um longo prazo, é preciso acompanhar e medir seus níveis de magnésio, ferro e vitamina B12 regularmente. Se necessário, discuta o uso de suplementos. Exames de densidade óssea podem ser feitos para monitorar a saúde dos ossos;
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