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ENTREVISTA: DR. FELIX JOSÉ ALVAREZ RAMIRES, DO INCOR - UM PANORAMA DA CARDIOLOGIA NO BRASIL

Em entrevista, Dr. Felix José Alvarez Ramires, do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Incor – HCFMUSP), que presidiu recentemente o VIII Congresso Brasileiro de Insuficiência Cardíaca, em São Paulo, fala sobre a cardiologia na atualidade, as principais questões que envolvem a especialidade e a falta de divulgação do principal fator protetor da saúde: a prevenção de doenças. Confira a seguir. 

Quais os principais problemas da Cardiologia hoje?
 
Os problemas enfrentados são os mesmos que atingem qualquer outra área da saúde nacional. Apesar da melhoria no decorrer dos anos, estamos, obviamente, aquém dos paises desenvolvidos em termos de investimento e fundos para pesquisa. Sabemos que um país só se faz com educação e desenvolvimento científico e, embora nossas universidades produzam, ainda poderíamos fazer muito mais.
 
E quanto à sua área de especialidade, a insuficiência cardíaca, qual a maior preocupação?
 
Sem dúvida, com a prevenção. A despeito de alguns esforços do setor público e de pequenas iniciativas do âmbito privado na tentativa de realizar programas de prevenção, constatamos que a divulgação ocorre efetivamente sobre outros campos. Mas como prevenir? Simples, tratando da pressão arterial, do colesterol, do tabagismo, do sedentarismo, ou seja, dos fatores de risco que desencadeiam os males cardíacos. Agir com antecedência sempre é o melhor tratamento.


Por que é essencial dar atenção à prevenção da insuficiência cardíaca? Em que setores da vida do paciente ela afeta?
 
A IC tem uma peculiaridade, que é a alta freqüência de invalidez nos pacientes com essa síndrome. Compromete toda a capacidade de realizar esforços e atividade física, dependendo da fase da doença. O final da vida laborativa é muito precoce, o que indiretamente afeta outras áreas, como a economia, uma vez que acarreta em aposentadorias precoces. A IC é a terceira maior causa de internação pelo SUS por doenças clínicas, são mais de 500 mil pacientes atendidos por ano, o que representa um gasto altíssimo do governo todos os anos. Se pudéssemos fazer propagandas de prevenção, com um dia especial para sua divulgação, como ocorre com a AIDS, a HAS,câncer de mama por exemplo, poderíamos disseminar a sua importância e, assim, ter um resultado bem melhor a médio e longo prazo.
 
O que mudou na cardiologia nos últimos anos?
 
A medicina é evolutiva e muito dinâmica, em todas as suas esferas. Por exemplo, medicamentos que há décadas nós contra-indicávamos completamente para o tratamento da IC, hoje são remédios obrigatórios, entre eles os betabloqueadores. Outra mudança que notamos sensivelmente foi o aumento da propaganda e divulgação dos transplantes cardíacos, que proporcionou o crescimento no número de doadores e, consequentemente, de transplantes, apesar de estar ainda muito longe do ideal. Ainda em fase de avaliação, temos as células-tronco, que prometem, a médio prazo, oferecer bons resultados aos portadores de IC. Claro que ainda é muito precoce indicar o método à população em ambulatórios. As investigações sobre essa terapêutica se aprimoram com o passar do tempo. Após já testar sua segurança e eficácia, é preciso identificar em que aspectos ainda é possível – e necessário – aperfeiçoar antes de sua efetiva implantação.
 
Qual o panorama atual da cardiologia em mulheres, por exemplo, que tem uma incidência equivalente aos homens de doenças cardiovasculares?
Por muitas décadas, a mulher possuía chances bem menores do que os homens em adquirir uma doença cardiovascular. Atualmente, principalmente na fase da menopausa, elas passaram a ter riscos muito semelhantes à população masculina. Isso em virtude da vida moderna que o público feminino leva, mais ativa, mais estressante, do aumento do tabagismo, todos estes mecanismos associados a trouxeram para o mesmo patamar que os homens.
 
Fala-se muito no envelhecimento da população brasileira, mas o que isso significa em termos de males cardiovasculares?
A população no Brasil está envelhecendo, o que é bom, representa que a nossa medicina está funcionando. O trabalho médico no país é tão bom ou superior a qualquer lugar do mundo, nossa cardiologia é reconhecida mundialmente. Como ela evoluiu muito, os pacientes não morrem mais precocemente. Por outro lado, vale destacar, como já disse anteriormente, carecemos de programas de prevenção para que esses indivíduos tenham melhores resultados na sua idade mais avançada. Falta incentivo no que diz respeito à atividade física, e até mesmo intelectual.
 
 
 
 
 

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