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DIA DO CARDIOLOGISTA: ENTREVISTA COM PROF. DR. ANTONIO CARLOS PALANDRI CHAGAS, PRESIDENTE DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA

 PROFISSÃO: SALVAR VIDAS!

Em 14 de agosto, comemora-se o Dia do Cardiologista. Para homenagear esses profissionais, entrevistamos o Prof. Dr. Antonio Carlos Palandri Chagas, atual presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e professor livre-docente da Universidade de São Paulo. Nesta entrevista, o Prof. Chagas fala das conquistas da cardiologia brasileira e dos projetos realizados pela entidade, que têm contribuído para a prevenção das doenças cardiovasculares no País.
Na sua visão, qual é o panorama da cardiologia no Brasil?
Prof. Dr. Antonio Carlos Palandri Chagas – O Brasil possui uma cardiologia que está na vanguarda e vem se tornando referência mundial em várias áreas. Temos uma cardiologia clínica marcada por grandes feitos e pela atuação de grandes profissionais, que fizeram história. Além disso, o País possui uma cardiologia cirúrgica de primeiríssima linha, que se iniciou com o Prof. Dr. Euryclides de Jesus Zerbini e o primeiro transplante de coração no País, e continuou com seus seguidores. Temos ainda uma cardiologia intervencionista de primeiro mundo que dita normas, sem contar outros fatos marcantes que o Brasil protagonizou, como a implantação do primeiro stent iluído, e várias outras conquistas nas áreas de arritmia, cardiopatia congênita, valvulopatias etc.
O Brasil possui também instituições de destaque no cenário da cardiologia mundial, como o Instituto do Coração e o Instituto Dante Pazzanese. Tenho muito orgulho de dizer que do extremo sul ao extremo norte do País, possuímos serviços de cardiologia de muita qualidade, conduzidos por profissionais altamente capacitados e treinados. Obviamente, existem algumas diferenças regionais, principalmente no que se refere à capacidade de atendimento, mas os cardiologistas brasileiros estão preparados para atuar com o que há de mais moderno no mundo nessa área.
Todos os avanços obtidos ao longo dos anos colocam o Brasil em uma posição de destaque no cenário médico internacional.

Como a Sociedade Brasileira de Cardiologia tem acompanhado essa evolução? Quais foram as principais conquistas da entidade?
Prof. Chagas – A SBC tem mais de 60 anos e uma longa história de realizações. É uma entidade que tem muito respeito pela comunidade médica, pelas sociedades de outras especialidades e pela população em geral.
A SBC, que possui atualmente 12 mil sócios, é a maior sociedade de cardiologia latino-americana. Somos responsáveis pela concessão do Título de Especialista em Cardiologia (TEC), que é um título de grande valor agregado e faz parte das ações da SBC para motivar o cardiologista na busca do contínuo aperfeiçoamento e torná-lo um profissional de reconhecida capacitação técnica.
Atualmente, sete mil sócios são portadores do TEC. Acreditamos que pela importância dessa certificação, cada vez mais teremos profissionais se preparando para obter o título.
Outro aspecto importante na história da SBC é a sua alta capilaridade. Hoje, a entidade possui duas representações principais, localizadas no Rio de Janeiro e em São Paulo, e está presente, por meio de sua regionais e departamentos, em praticamente todos os estados brasileiros.

Quais os principais projetos da SBC voltados aos médicos e à sociedade civil?
Prof. Chagas – Desde que assumimos a entidade em 2008, identificamos a necessidade de aproximar a cardiologia brasileira da esfera governamental, a fim de colaborar em vários projetos e em programas de prevenção de doenças cardiovasculares.
Nesse sentido, estabelecemos uma parceria com o Ministério da Saúde, que resultou em um acordo de cooperação, por meio do qual a SBC é consultada para participar de várias ações na área da saúde. Na verdade, como sociedade médica não temos o poder de mudar comportamentos, mas temos participado de discussões sobre a importância da prevenção de doenças do coração no Brasil.
Atualmente, estamos envolvidos em um grande projeto do Ministério da Saúde, juntamente coma Sociedade Brasileira de Psiquiatria, voltado para a saúde do homem.
Temos participado e realizado ainda vários outros programas, com foco na saúde da mulher, na prevenção da hipertensão arterial, no combate ao tabagismo etc., que reforçam essa parceria da SBC com o Governo Federal.
Além disso, como sociedade médica, temos atuado diretamente junto à Diretoria de Pesquisa do próprio MS e ao Ministério de Ciências e Tecnologia no sentido de ser um agente catalisador de ações para uso das verbas de pesquisa nos hospitais públicos. Com isso, estamos capilarizando não somente informações, mas também participando dos grandes avanços relacionados à prevenção de doenças cardiovasculares no País.
Hoje, a SBC também faz parte do Conselho Científico da Sociedade Médica Brasileira para o desenvolvimento de ações integradas em prol da comunidade.
A entidade tem ainda buscado aproximar-se cada vez da população, por meio da SBC/Funcor, que é a interface entre a Sociedade e a comunidade.
O objetivo é estreitar o relacionamento com a população, disseminar a prevenção dos fatores de risco cardiovasculares e contribuir para melhorar qualidade de vida das pessoas.
Para cumprir essa missão, realizamos diversas ações educativas focadas na população em geral, como campanhas permanentes ou pontuais, educativas e temáticas.
Uma das mais recentes teve um caráter pioneiro, sendo realizada no Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho último. Nessa data, a SBC promoveu em várias cidades do País – em São Paulo foi realizado no vão livre do Masp – um grande evento que contou com a cobertura de sete emissoras de televisão.
Na capital paulista, tal iniciativa pioneira foi feita em conjunto com o Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da USP e teve como objetivo conscientizar a população sobre os efeitos danosos para o coração decorrentes de viver em uma cidade com o ar poluído.
A SBC e a USP mediram, durante todo o dia, material particulado presente no ar – a fuligem que sai dos escapamentos dos veículos – e monóxido de carbono. Foram distribuídos folhetos informativos que traziam dicas simples de como colaborar com o meio ambiente, mas também faziam um alerta para os inúmeros problemas de saúde que a poluição pode provocar. Um imenso coração inflável com os dizeres: “Cuide do seu coração”, chamava a atenção dos que passavam na Avenida Paulista.

No Dia do Cardiologista, a ser comemorado em 14 de agosto próximo, a SBC realizará alguma ação especial para homenagear os médicos?
Prof. Chagas – Sem dúvida. Em 14 de agosto, realizaremos o “Fórum Nacional sobre as Doenças Cardiovasculares e o Meio Ambiente”, mais uma iniciativa pioneira da SBC, a primeira sociedade médica a reunir uma equipe multidisciplinar de alto nível para debater o assunto.
O evento, que acontecerá no auditório do CIEE, em São Paulo, terá a presença do professor da Escola de Saúde Pública de Harvard, John Gobleskei, cuja conferência versará sobre o tema “Resposta cardiovascular às modificações do meio ambiente”. Estarão presentes também o embaixador Rubens Ricupero, como palestrante, a Petrobras, a quem cabe reduzir o enxofre nos combustíveis, um porta-voz da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), para relatar a evolução tecnológica dos automóveis para reduzir a poluição, e representantes do Incor, da Universidade Federal de São Paulo e do Instituto Dante Pazzanese, que participarão dos debates.
Durante o evento, haverá a apresentação pública da pesquisa do Incor, que correlaciona diretamente os dias de alta poluição atmosférica em São Paulo com o número de eventos cardíacos atendidos pelos hospitais.
O objetivo é mostrar às autoridades, inclusive federais, que estarão presentes, que a preservação do meio ambiente não se limita ao combate do desflorestamento, mas inclui, necessariamente, a qualidade do ar nas grandes cidades.
Ciente da importância desse assunto, a partir deste ano a defesa do meio ambiente será tema de uma das campanhas temáticas da SBC, ao lado das ações dedicadas ao controle da hipertensão, do combate ao fumo, à obesidade e ao colesterol.
Após o encerramento do evento, o resultado da discussão será entregue aos ministros do Meio Ambiente e da Saúde, e à ministra-chefe da Casa Civil.

Hoje, como é a atuação da SBC em relação à Educação Continuada do cardiologista?
Prof. Chagas – Como sociedade médica não temos o poder de influenciar na graduação do profissional, mas procuramos influenciar na formação do especialista. Temos um programa muito grande de credenciamento de instituições para residências e estágios em cardiologia. Também participamos diretamente das auditorias nos vários serviços que estão formando cardiologistas no Brasil.
Um de nossos objetivos principais é oferecer aos cardiologistas todas as informações possíveis para seu aprimoramento profissional. Por meio da SBC, os médicos também contam com fóruns de discussão, programas de atualização presencial ou online, cursos virtuais, palestras, simpósios, sem contar a elaboração da revista científica Arquivos Brasileiros da Cardiologia, nas versões online (em três idiomas) e papel, entre outras.
Portanto, o sócio tem todas as condições de se atualizar com o que há de mais moderno na área. E não poderia ser diferente, pois com a evolução da cardiologia, o médico cardiologista não conseguiria exercer a profissão sem aprimorar seus conhecimentos.
Hoje, a atualização é uma necessidade permanente do médico. Mas sabemos que administrar, muitas vezes, a rotina de dois ou três empregos e ainda arrumar tempo para estudar é muito difícil.
Por isso, todos os canais e portais de informação médica sérios e éticos são muito importantes e bem-vindos para ajudar e facilitar o aprimoramento profissional do médico. 

Nos últimos anos, a SBC também tem se internacionalizado. Como é a relação da entidade com outras instituições internacionais e qual a importância desse alinhamento para a cardiologia brasileira?
Prof. Chagas – Com todas as conquistas, a cardiologia brasileira tem um histórico de destaque no cenário mundial. Da mesma forma, a atuação da SBC vem acompanhando a evolução nessa área e obtendo reconhecimento internacional.
Para se ter ideia, nos últimos dois anos, a SBC esteve presente pela primeira vez no maior Congresso Clínico anual da American College of Cardiology, que, em 2009 foi realizado entre os dias 29 e 31 de março, em Orlando, na Flórida (EUA).
Além de estande, pela primeira vez na história da cardiologia brasileira, a entidade contou com uma Joint Session ACC-SBC, um simpósio brasileiro no próprio corpo do evento, um reconhecimento mundial da importância do progresso científico brasileiro na especialidade.
A SBC também está fortemente alinhada com a Sociedade Europeia de Cardiologia, da qual nos tornamos afiliados, sem contar o estreito relacionamento que mantemos com a cardiologia latino-americana, além de acordos de cooperação com Portugal e Espanha.
Outro aspecto que vale a pena ressaltar é que, em decisão inédita, a Universidade de Harvard (Harvard Medical School), nos Estados Unidos, concederá duas bolsas de estudos com dois anos de duração em convênio com a SBC. A decisão foi anunciada pelo Prof. Peter Libby, Professor e Chefe da Divisão de Medicina Cardiovascular da universidade norte-americana. As bolsas serão para investigadores com formação médica com treinamento em pesquisas básica ou clínica, que farão o curso em nível de pós-doutorado.
A vigência da bolsa começará em 1º de janeiro de 2010 e terá continuidade por dois anos. Ela foi criada para treinar jovens médicos brasileiros que assumam o compromisso, juntamente com as instituições que os empregam, de desenvolver carreiras voltadas à pesquisa cardiovascular.
Trata-se de uma grande vitória, principalmente se for levado em conta que a concessão das bolsas partiu da própria universidade. O professor Peter Libby levou em conta a importância da SBC, a seriedade de nossa instituição e a capacitação dos especialistas que a integram.
Esse projeto faz parte dos objetivos da SBC de investir na pesquisa, para que a cardiologia brasileira se mantenha em uma posição de pioneirismo, lado a lado com as maiores instituições internacionais.

É verdade que o site da SBC também é o terceiro mais acessado no mundo?
Prof. Chagas – Essa notícia também foi uma grata surpresa para a SBC.Um comparativo, traçado com os principais sites da cardiologia internacional, revelou que o portal da SBC (www.cardiol.br) está em terceira posição no ranking mundial de acessos, à frente da European Society of Cardiology (ESC).
Segundo resultado, obtido pelo mais respeitado serviço para medição de acesso de usuários, o site Alexa, o portal da SBC aparece em terceiro lugar, mostrando-se em empate técnico com o site do American College of Cardiology (ACC), segundo colocado no ranking
A pesquisa comparativa tomou como base páginas de entidades de grande prestígio, como o ACC, a American Heart Association e a própria ESC, e traçou um paralelo com a da SBC. De acordo com o resultado, o Cardiol aparece como referência na busca de informações sobre temas relacionados à cardiologia, figurando em posição de destaque no cenário internacional.
Isso ratifica a excelência da entidade na divulgação de conteúdo da área de saúde, lembrando também que o site da SBC é certificado com o HonCode (Health On the Net Foundation), selo internacional que é uma garantia de que o conteúdo de nosso portal é científico e ético.
Outra boa notícia é que o site “Theheart.com”, um dos mais importantes sobre cardiologia, passou a publicar notícias, informações e artigos sobre a Sociedade Brasileira de Cardiologia. É de grande relevância a entidade brasileira ter sido convidada a participar dessa mídia, o que é um atestado não só de seriedade e competência, mas de reconhecimento internacional da qualidade da cardiologia brasileira.
O site é acessado diariamente por centenas de cardiologistas do mundo inteiro, sendo criado para suprir as necessidades dos médicos que precisam atualizar de maneira constante seus conhecimentos sobre as mais recentes pesquisas e inovações.
O cardiologista é responsável por tratar da saúde do órgão mais importante de nosso corpo e tem uma importância essencial na preservação da vida. Particularmente, o que representa para o senhor atuar em uma linha tão tênue entre a vida e a morte?
Prof. Chagas – O maior desafio no exercício da profissão é que, apesar de todos os avanços da cardiologia, infelizmente, a doença cardiovascular ainda é o principal fator de risco de morte da população no mundo.
Para se ter ideia, se nada for feito nos próximos anos, daqui a menos de três décadas, o Brasil será campeão da mortalidade cardiovascular. Temos hoje uma população muito grande de hipertensos, de obesos, principalmente crianças, diabéticos, sedentários e de pessoas com colesterol alto, que, futuramente, poderão ser vítimas de doenças cardiovasculares.
A saída é trabalhar na prevenção. Hoje, já temos uma cardiologia fantástica que atua na cura de muitos problemas e patologias, mas precisamos ter um trabalho de igual dimensão voltado à prevenção. Esse é o caminho para uma vida mais saudável.

O senhor gostaria de deixar uma mensagem ou fazer uma homenagem para os cardiologistas na passagem do dia 14 de agosto?
Prof. Chagas – Eu diria que ser cardiologista é um trabalho de muita emoção. É uma profissão que deve ser exercida com muito amor e muita dedicação. Infelizmente, é uma área em que ainda se perdem vidas. Por outro lado, é um trabalho muito gratificante, especialmente quando se atua em um país como o Brasil, que faz parte da vanguarda mundial na área de cardiologia, o que possibilita termos muito mais conquistas do que perdas.
Portanto, gostaria de dizer aos cardiologistas na passagem dessa data que, como médicos, temos de continuar a atuar de forma determinada no controle dos fatores de risco das doenças cardiovasculares no Brasil, trabalhando com ética, seriedade e profissionalismo, a fim de garantir à população brasileira mais qualidade de vida e um coração muito mais saudável.

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