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SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEUROCIRURGIA: ALERTA PARA PREVENÇÃO DO NEUROTRAUMA

A Sociedade Brasileira de Neurocirurgia lançou proposta de lei que alerta para a profundidade de piscinas, rios, lagos e lagoas onde haja lazer aquático - locais públicos e privados. Além disso, em 2 de dezembro, neurocirurgiões voluntários de seis cidades (Porto Alegre - RS, Maringá - PR, Rio de Janeiro - RJ, Belo Horizonte - MG, Brasília - DF e Natal - RN) participaram de um alerta contra o neurotrauma. Com o slogan “Pense Bem: Use a Cabeça para Proteger seu Corpo”, a ideia foi conscientizar sobre os cuidados necessários no trânsito, em casa e no lazer, para evitar traumas crânioencefálicos que causam sofrimento e custam mais de 9 bilhões de reais por ano ao País.
A iniciativa da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia faz parte de seu Programa de Responsabilidade Social. De acordo com o presidente da SBN, Dr. Luiz Carlos de Alencastro, o Projeto Pense Bem foi criado com os mesmos preceitos do Think First, desenvolvido nos Estados Unidos pela Sociedade Americana de Neurocirurgia. A iniciativa busca conscientizar pessoas, principalmente entre 15 a 30 anos - faixa etária que soma o maior número de incidência de traumas de crânio de todas as formas, sendo os mais frequentes os ocasionados por acidentes de trânsito.

Veja a seguir os comentários do Dr. Luiz Carlos de Alencastro, presidente da SBN.
 
ALERTAS EM LAZER AQUÁTICO E USO DE CAPACETE
As emergências dos hospitais públicos e particulares mostram também que no lazer, principalmente durante as férias, o neurotrauma é responsável por inúmeros diagnósticos de paraplegia e tetraplegia. Tais sequelas poderiam ser evitadas, ou com o simples uso de capacete durante o lazer com bicicleta, patins, skate e moto, ou com alertas em locais de lazer aquático, como existe nos EUA e outros países da Europa.
 
CAMPANHA POR UMA LEI QUE ALERTA SOBRE LAZER AQUÁTICO
No dia 02 de dezembro, a SBN lançou uma campanha pela aprovação de uma lei que alerte a profundidade de piscinas, rios, lagos e lagoas - em locais públicos e privados - onde haja lazer aquático. Temos a esperança de poder iniciar um movimento que mude a cultura de comportamento no País. A experiência de outros países mostra que a conscientização da população, aliada a medidas concretas, como algumas propostas de leis, podem interferir favoravelmente nos índices de trauma no Brasil.
Conforme revelou Cármine Salvarani, nosso coordenador da campanha, muito do debate sobre a responsabilidade social de cada um já foi desenvolvido mundo afora. Quando o objetivo é reduzir o trauma, entender as formas de evitá-lo ou minimizar seu efeito, as populações de vários países (Rússia, Canadá, Inglaterra, EUA e muitos outros) se mobilizam. Público e privado se unem e os resultados aparecem. Assim nasceram várias fundações, entre elas o Think First, a American e Canadian Automobile Association (AAA) - que desde 1947 já financiou mais de 170 projetos voltados a esse fim -, a Fundação de Prevenção dos Acidentes de Trânsito da Hungria e o Pense Bem, no Brasil, entre tantos outros.
 
CAMPANHA GANHA DIMENSÃO NACIONAL
A Sociedade Brasileira de Neurocirurgia já vem desenvolvendo ações em várias cidades do Brasil há mais de 15 anos, através de palestras nas escolas - parceria entre a SBN e o Projeto Amigos da Escola, da Rede Globo -, congressos, eventos educacionais de trânsito, entre outras. Em 2006, distribuímos milhares de folhetos nos pedágios das principais estradas do sudeste, em parceria com as empresas mantenedoras, aproveitando a época das férias, quando as estradas ficam mais movimentadas, em ação coordenada pelo Dr. José Landeiro. Recentemente, fizemos uma parceria com o Sest/Senat – Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte -, quando produzimos uma cartilha e um filme em CD para darmos palestras aos caminhoneiros e suas famílias em todas as unidades do Sest/Senat existentes no Brasil, ação conduzida pelo Dr. Otacílio Guimarães.
A partir destas experiências anteriores, vimos que era necessário um salto de qualidade na nossa campanha, que desta vez busca atingir mais regiões do Brasil. Assim como o resultado da iniciativa dos neurocirurgiões norte-americanos foi surpreendente, buscamos no nosso país o mesmo êxito. A parceria com escolas públicas nas cidades selecionadas alcançará mais salas de aulas, mais professores, crianças, jovens e seus pais.
Os voluntários receberam um guia em powerpoint de imagens e texto didáticos que ajuda a explicar de forma simples o funcionamento do sistema nervoso, bem como as consequências do neurotrauma, além de dicas e recomendações do médico. 
 
O TRAUMA CUSTA CARO AO PAÍS
Ao lado das 150.000 mortes violentas por ano, existe uma legião de centenas de milhares de sequelados definitivos, entre os quais se situam paraplégicos, amputados, cegos e pessoas socialmente marginalizadas.
Em 2005, entidades médicas chamaram a atenção das autoridades ao divulgar o "Projeto Trauma", que alertava para o imenso custo social do trauma em geral e do neurotrauma em particular. O documento alertava que o trauma é a principal causa de óbito nas primeiras quatro décadas de vida e representa um enorme e crescente desafio ao país em termos sociais e econômicos. Os acidentes e as violências no Brasil configuram um problema de saúde pública de grande magnitude e transcendência, que tem provocado forte impacto na morbidade e na mortalidade da população.
O documento das entidades médicas, entre as quais a SBN, revela que em 2005, a tragédia que incluía os acidentes de trânsito só havia piorado. Em recente estudo foi verificado que o atendimento de cada vítima de trauma por acidente por veículo automotor, em regiões urbanas do Brasil, custa em média R$ 100 mil. Tais custos se referem às vítimas graves. Atualmente, se investe per capita, no Brasil aproximadamente R$ 300 anuais. Cotejando esses dois números, temos o impacto real do trauma nas contas da saúde pública. Estima-se que o atendimento ao trauma possa atingir R$ 9 bilhões de reais anuais. Nesse valor se incluem o tratamento pré-hospitalar, hospitalar, as sequelas, as despesas indiretas, as perdas de anos de vida e de produtividade, a reabilitação, os custos das perdas materiais e etc. Naquela ocasião, os médicos já diziam que havia somente uma solução definitiva: a prevenção. Para que a prevenção se torne um instrumento efetivo, muitas medidas de grande impacto social serão necessárias permanentemente.
 
O QUE É O NEUROTRAUMA?
O trauma é hoje considerado a principal causa de morte geral no mundo contemporâneo. O Neurotrauma é o conjunto de lesões traumáticas que afetam o crânio, o cérebro, a coluna, a medula e os nervos periféricos. Além disso, acarreta uma grande demanda de recursos para tratamento e reabilitação de pacientes.
Estima-se que 15% dos pacientes com trauma na coluna vertebral têm comprometimento neurológico. Muitas pessoas que sofrem o neurotrauma ficam com algum tipo de dependência para desenvolverem suas atividades diárias, por um longo período. O traumatismo cranioencefálico pode alterar funções importantes como o pensamento, sensações, linguagem ou emoções:

.   Pensamento (por exemplo, memória e razão);
.   Sensações (por exemplo, tato, paladar e olfato);
.   Linguagem (por exemplo, fala, expressão e entendimento); e
.   Emoções (por exemplo, depressão, ansiedade, mudança na personalidade, ansiedade, agressividade e comportamentos inapropriados).

O traumatismo também pode causar epilepsia e aumentar o risco de doenças como Alzheimer e Parkinson, assim como outras desordens cerebrais podem tornar-se mais prevalentes com a idade. Repetidos traumas leves ao longo do tempo podem ocasionar um déficit neurológico e cognitivo ao passar dos anos. Quando esses traumas ocorrem num curto espaço de tempo, isto é, horas, dias ou semanas, o resultado pode ser catastrófico ou fatal. 
 
DADOS ESTATÍSTICOS NO BRASIL
A Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET, 2004) assinala que o Traumatismo craniano e raquimedular é a principal causa de morte e sequelas no acidentes de trânsito. Segundo o Ministério da Saúde, 20,7% das crianças internadas são vítimas de TCE.
 
OS NÚMEROS AINDA SÃO INCOMPLETOS
O Brasil luta contra um desconhecido. Em virtude da ineficiência das estatísticas oficiais, pesquisadores, profissionais de saúde e gestores públicos desconhecem a gravidade da situação do TCE e TRM nos seus municípios. Ações sociais, como o Pense Bem, podem incentivar e sensibilizar o Estado a incrementar o registro, tratamento e divulgação dos dados epidemiológicos no País. 
 
NOS EUA
O trauma é a principal causa de morte para os indivíduos até 45 anos e a quarta principal causa de morte geral para todas as idades.
O custo direto e indireto com o Trauma Crânio Encefálico e Trauma Raqui Medular, como a perda de produtividade do indivíduo, foi estimado em 60 bilhões de dólares em 2000, nos EUA.
 
NO MUNDO
Por volta de1.2000 milhões de pessoas morrem anualmente em todo mundo no trânsito (3.242 por dia), sendo que 90% destas mortes acontecem nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. O custo estimado é de U$ 518 bilhões.  Até 2020, a previsão é de que o trauma contribua com um terço do investimento destinado à saúde.
                                                 
 

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