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ENTREVISTA: JORGE JACINTO RODRIGUEZ, DA ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE - BRASIL ESTÁ NA VANGUARDA DO ATENDIMENTO EM SAÚDE MENTAL

A expansão do atendimento comunitário a pacientes com transtornos mentais no Brasil é um modelo para a América Latina. Essa é a avaliação do coordenador do Programa de Saúde Mental da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em Washington, Jorge Jacinto Rodriguez. O especialista participou da abertura da IV Conferência Nacional de Saúde Mental (IV CNSM), que segue até amanhã (01/07) em Brasília. A opinião dele reforça que a política do setor está no caminho certo. Em 2009, a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia convidado o Ministério da Saúde brasileiro para participar de um grupo que está pensando a Reforma Psiquiátrica internacional. Na ocasião, a OMS considerou que eram claros os avanços do Brasil na área. Confira os principais comentários de Jorge Jacinto Rodriguez.
 Como o senhor avalia a Reforma Psiquiátrica no Brasil, com a substituição de atendimento manicomial pelo modelo comunitário de atenção integral?
 Essa é a estratégia que a OPAS está disseminando no mundo. O Brasil se tornou um bom exemplo de tratamento em saúde mental para todo o continente. Nós defendemos o avanço da desinstitucionalização dos pacientes, a redução de leitos em hospitais psiquiátricos e a substituição dessas velhas instituições por novos dispositivos dentro da comunidade. É justamente o que está acontecendo no Brasil.

Até o fim do ano passado, o Brasil havia ampliado para 1.502 o número de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). O senhor concorda que essa é uma das alternativas acertadas no tratamento de pessoas com transtornos mentais?
Sim, é um exemplo de boa prática de modelo comunitário. Outro exemplo, em nível regional, é o movimento de usuários e familiares, o papel da sociedade civil nesse processo. Podemos mencionar a própria Conferência Nacional de Saúde Mental; este evento é único na América Latina. É um processo de construção democrática de políticas públicas. O Brasil está na vanguarda no campo de saúde mental na América Latina. Por isso, o País pode ser um líder e exemplo para os países vizinhos.

Como é a atenção à saúde mental nos outros países latino-americanos?
O quadro é muito diferente. Há países com um bom desenvolvimento. Além do Brasil, o Chile tem bons programas, assim como Caribe, Cuba e Panamá. Contudo, há outras nações com muitos problemas nesse tipo de atendimento. Elas adotam até hoje modelos ultrapassados de manicômios e asilos para receber pessoas com problemas mentais. Temos que cooperar com esses países menos desenvolvidos no campo da saúde mental.

Qual é o impacto dos problemas mentais na rede de assistência à saúde na América Latina?
Bem, 22% da carga total de enfermidades nos sistemas de saúde estão representados por doenças mentais e neurológicas. Isso é altamente significativo. Ademais, o nível de cobertura de atenção a esses problemas é muito baixo. Cerca de 60% das pessoas com doença mental não estão recebendo nenhum tipo de tratamento na América Latina. Temos que reduzir essa lacuna no tratamento desenvolvendo programas de serviços como este do Brasil.

 Apesar dos bons resultados desse modelo comunitário adotado no Brasil, as internações são necessárias em muitos casos. É possível conciliar o atendimento que assegura a liberdade ao paciente e a internação, em casos mais sérios?
Claro. O modelo comunitário não significa que não há leitos. Mas, ainda que se tenham os melhores serviços comunitários, haverá doentes que precisam ser internados. A estratégia, de toda forma, é reduzir o período de internação. Ou seja, podemos atender e tratar a crise em poucos dias ou algumas semanas para que a pessoa possa logo voltar para casa, para sua comunidade.

 Como garantir a inserção social de pacientes com transtornos mentais que precisam ser internados?
A política mais adequada é incentivar a criação de leitos psiquiátricos em hospitais gerais, que têm menos estigmas. Eles estão mais perto da comunidade. Você tem um hospital geral na sua cidade, no seu estado, no seu município. Você tem acesso a esse hospital, se seu filho está doente, se você pegou pneumonia ou se tem uma doença mental. A ideia é usar mais os hospitais gerais e menos os psiquiátricos.

 Caminhamos para uma redução progressiva de hospitais psiquiátricos na América Latina?
Essas instituições têm muitos problemas. Os pacientes passam anos lá e, muitas vezes, perdem contato com as famílias. Por isso, a ideia é desenvolver e fortalecer estruturas, dispositivos comunitários. É o caso das próprias residências terapêuticas [outro modelo do Brasil], com um menor número de pacientes, uma atenção mais adequada e próximas das comunidades. A pior alternativa é o hospital psiquiátrico.
 

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