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Arritmias Cardíacas e Morte Súbita ainda fazem 320 mil vítimas por ano no Brasil

Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a maior causa de óbitos no país são os desfechos negativos de doenças cardiovasculares², ocasionados pela falta de atenção e tratamento de condições como o colesterol LDL alto, hipertensão e arritmias cardíacas. Arritmias Cardíacas e Morte Súbita afetam mais de 20 milhões de brasileiros1 e leva a aproximadamente 320 mil mortes súbitas por ano³.

As arritmias cardíacas são um conjunto de alterações que ocorrem na frequência e no ritmo dos batimentos do coração. "Essa coordenação é promovida por impulsos elétricos gerados no próprio coração, mas há situações em que os batimentos ocorrem de maneira irregular: batimentos muito rápidos, acima de 100 por minuto caracterizam a taquicardia, enquanto que muito lentos, abaixo de 60 por minuto, são considerados bradicardia", explica Dr. Jairo Lins Borges, professor da disciplina de Cardiologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Há ainda um tipo de arritmia que é a mais comum na prática clínica, a fibrilação atrial. Ela tem apresentado incidência crescente, especialmente pelo aumento da expectativa de vida da população e da prevalência das doenças cardiovasculares 4. "Portanto, se a pessoa notar alguma irregularidade em seus batimentos cardíacos ou no pulso, é melhor agendar uma visita ao médico".

As arritmias afetam diversos perfis de pacientes e não é sempre que apresentam sintomas. Entretanto, quando ocorrem, podem ser diversos: sensação de fraqueza e cansaço, mal-estar, pressão baixa e tontura, dor no peito, palpitação, confusão mental e até mesmo desmaios ou síncopes 5. "Nos casos mais graves, pode ocorrer uma parada cardiorrespiratória fatal - é por esse motivo que os índices de morte súbita por arritmias cardíacas são tão altos", comenta Dr. Jairo. "Pessoas de idade mais avançada, com histórico de doenças cardíacas, que sofreram um infarto, têm pressão alta ou alterações na tireoide tem maior predisposição para a arritmia". 6

A boa notícia é que grande parte grande parte das arritmias pode ser prevenida, controlada e até mesmo revertida com simples mudanças nos hábitos de vida 7. "A qualidade de vida do paciente com arritmia cardíaca está diretamente relacionada ao seu estilo de vida e aos cuidados para o controle da doença. É necessário adotar hábitos saudáveis e evitar os fatores de risco para a condição". Segundo o médico, tais hábitos incluem: 8

• Alimentação balanceada;
• Não fumar;
• Não exagerar no consumo de bebidas alcoólicas e energéticos;
• Cuidar da saúde emocional, evitando o estresse excessivo;
• Praticar atividade física regularmente
• Ter horas de sono adequadas

"Também é importante prestar atenção aos sinais do coração, como irregularidades nos batimentos, e consultar um médico cardiologista pelo menos uma vez ao ano para realizar exames preventivos".

Além disso, a mudança no estilo de vida pode precisar ser acompanhada de tratamento medicamentoso, sempre de acordo com a recomendação médica. Para esse tratamento "existem medicamentos específicos que atuam na estabilização dos impulsos elétricos que comandam o ritmo cardíaco - e que são chamados de antiarrítmicos". Em alguns casos, pode ser necessário realizar ablação por cateter (procedimento que pode diminuir e até curar algumas formas de arritmia), implante de dispositivos como o marca-passo ou o desfibrilador, e até mesmo cirurgias9. "De qualquer maneira, é imprescindível que o paciente com arritmia seja acompanhado de perto por um especialista para avaliar a necessidade de tratamento ou o risco de recorrência da doença. Com o tratamento contínuo, é possível reduzir o risco de morte súbita e melhorar a qualidade de vida, além de, inclusive, proteger o coração", finaliza Dr. Jairo.

Referências
1. Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC). Campanha Coração na Batida Certa: Brasil em ação pela prevenção e tratamento das arritmias cardíacas e morte súbita. [internet]. [acesso em 27 out 2020]. Disponível em: https://sobrac.org/home/campanha-coracao-na-batida-certa-brasil-em-acao-pela-prevencao-e-tratamento-das-arritmias-cardiacas-e-morte-subia/
2. Ministérios da Saúde (BR). Saúde Brasil 2018. Uma análise da situação de saúde e das doenças e agravos crônicos: desafios e perspectivas. Brasília; 2019.
3. Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC). Campanha Coração na Batida Certa: Brasil em ação pela prevenção e tratamento das arritmias cardíacas e morte súbita. [internet]. [acesso em 27 out 2020]. Disponível em: https://sobrac.org/home/campanha-coracao-na-batida-certa-brasil-em-acao-pela-prevencao-e-tratamento-das-arritmias-cardiacas-e-morte-subia/
4. Chugh SS, Havmoeller R, Narayanan K, et al. Worldwide epidemiology of atrial fibrillation: a Global Burden of Disease 2010 Study. Circulation. 2014;129(8):837-47.
5. Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Arritmias cardíacas. [internet]. [acesso em 27 out 2020]. Disponível em: https://prevencao.cardiol.br/doencas/arritmia-cardiaca.asp.
6. Priori SG, Blomström-Lundqvist C, Mazzanti A, et al; ESC Scientific Document Group. 2015 ESC Guidelines for the management of patients with ventricular arrhythmias and the prevention of sudden cardiac death: The Task Force for the Management of Patients with Ventricular Arrhythmias and the Prevention of Sudden Cardiac Death of the European Society of Cardiology (ESC). Endorsed by: Association for European Paediatric and Congenital Cardiology (AEPC). Eur Heart J. 2015;36(41):2793-2867.
7. Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC).. Arritmias cardíacas: mitos e verdades. [internet]. [acesso em 27 out 2020]. Disponível em https://sobrac.org/home/arritmiascardiacas-mitos-e-verdades/.
8. Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC).. Arritmias cardíacas e morte súbita. [internet]. [acesso em 27 out 2020]. Disponível em: https://sobrac.org/home/arritmias-cardiacas-e-morte-subita/
9. Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC).. Perguntas e respostas sobre arritmias cardíacas. [internet]. [acesso em 27 out 2020]. Disponível em: www.sobrac.org/campanha/perguntas-e-respostas-sobre-arritmias-cardiacas/.


 

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