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Pandemia da Covid-19 agrava depressão e estimula uso de metodologias diferenciadas

A pandemia de coronavírus contribuiu para o aumento significativo de sintomas psíquicos e de transtornos mentais. A depressão se destaca nesse cenário, especialmente entre as mulheres, que passaram a sofrer maior estresse tendo que conciliar os cuidados com os filhos, os afazeres domésticos, adequar a rotina do seu próprio trabalho e as relações afetivas. 

A Covid-19 interfere na gênese da depressão em vários aspectos, de acordo com o dr. José Gallucci Neto, diretor médico do Serviço de ECT e Vídeo EEG do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP).  Ele destaca “a possível ação do vírus no sistema nervoso central, experiências traumáticas associadas à infecção, a morte de familiares ou pessoas próximas, a mudança na rotina devido às medidas de distanciamento social, a perda de renda e a interrupção de serviços essenciais de saúde mental”. Outros sintomas de estresse como insônia e abuso de álcool e drogas também cresceram por causa da pandemia.

 Em geral, o tratamento com antidepressivos de primeira linha demonstra eficácia em até 70% dos casos, explica o dr Gallucci. Mas, dependendo da progressão e da gravidade do quadro, torna-se necessária a adoção de metodologias de tratamento para quadros depressivos graves e outros transtornos mentais como esquizofrenia e catatonia, que podem não responder aos remédios.

 Com o avanço tecnológico, modernização dos equipamentos e desenvolvimento de diferentes formas terapêuticas, os tratamentos biológicos como a estimulação neuroelétrica (eletroconvulsoterapia), a estimulação magnética transcraniana e a estimulação cerebral por corrente elétrica contínua foram aprimorados e têm sido adotados em ambiente hospitalar para pacientes com depressão leve, moderada ou grave. 

Com isso, o tratamento não farmacológico mais eficaz para quadros depressivos graves e resistentes é a estimulação neuroelétrica (eletroconvulsoterapia). Diferentemente do passado, o tratamento é realizado seguindo protocolos rígidos de segurança e eficácia, feito sob sedação, de forma indolor e com o mínimo de efeitos colaterais. A técnica consiste na indução de uma crise convulsiva de curta duração (20-30 segundos) através de uma corrente elétrica de pulso breve. 

Os pacientes recebem sedação e relaxantes musculares imediatamente antes da crise. A técnica é considerada altamente eficaz na psiquiatria, atingindo taxas de resposta superiores a 60% no atendimento de pacientes com quadros graves de depressão. O paciente recebe acompanhamento e monitoramento contínuo no pré e pós procedimento.

 No Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) o Serviço de ECT realiza 30 procedimentos diários ou cerca de 500 a 600 procedimentos/mês. 

Outro tratamento é a neuromodulação, que utiliza técnicas de estimulação magnética transcraniana (EMT) e estimulação elétrica transcraniana (EET), ambas incitam a ativação dos neurônios. A recomendação para esse tipo de tratamento é para casos leves a moderados de depressão. Ela não é invasiva, tem mínimos efeitos colaterais e dispensa a sedação.

 O uso da escetamina é mais uma modalidade terapêutica nova em psiquiatria, aprovada recentemente no Brasil pela ANVISA, com resultados promissores nos estudos de curto prazo. Trata-se de um anestésico com propriedades antidepressivas de ação rápida. Utilizada em doses baixas, ele é aplicado por via intravenosa ou intra-nasal (spray), em pacientes graves, refratários e com risco de suicídio. O tratamento também requer acompanhamento e monitoramento do paciente em ambiente hospitalar.

 O grau de eficácia dessas novas técnicas adotadas pelo IPq, considerado o maior e mais bem equipado centro de sua especialidade no Brasil e também um dos melhores hospitais universitários psiquiátricos da América Latina, estimulou a criação de um curso acadêmico inédito que passará a fazer parte da grade de cursos de especialização Latu Sensu da Escola de Educação Permanente (EEP) do HCFMUSP. As inscrições foram abertas neste mês de novembro, e o curso terá início em 2021 com duração de 10 meses.

 O grau de eficácia dessas novas técnicas adotadas pelo IPq, considerado o maior e mais bem equipado centro de sua especialidade no Brasil, estimulou a criação de um curso acadêmico que que passará a fazer parte da grade de cursos de especialização Latu Sensu da Escola de Educação Permanente (EEP) do HCFMUSP. As inscrições foram abertas em novembro e o curso terá início em 2021, com duração de dez meses. 

O curso de Psiquiatria Intervencionista é aberto a profissionais de saúde de todo o país e tem como objetivo atualizar e capacitar médicos com residência em psiquiatria, neurologia, anestesia e clínica médica baseada em procedimentos realizados em ambiente hospitalar, com finalidade terapêutica, que necessitam de uma técnica específica para sua segurança e eficácia. As inscrições devem ser feitas pelo site: https://eephcfmusp.org.br/portal/online/modalidade/especializacao/

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