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Vacinas já, exige a Associação Médica Brasileira

A Associação Médica Brasileira se solidariza mais uma vez com todos os cidadãos do País. Ultrapassamos os 10 milhões de casos de Covid-19 e estamos prestes a contabilizar 250 mil vidas irreparavelmente perdidas em virtude da pandemia. Expressamos os sentimentos de todos os nossos diretores e médicos, em especial aos familiares e aos amigos das vítimas.
 
Faz tempo, todos registramos consternação com o que ocorre no Brasil. É mais do que evidente que a tragédia já deveria ter sido encarada com mais responsabilidade.
Lamentavelmente, até hoje não temos um plano de vacinação consistente e, pior ainda, nem vacinas para todos os brasileiros. A pandemia é sim implacável, aqui e em todo o mundo. Porém, muitos países menores e mais pobres do que o Brasil foram (e seguem sendo) eficientes no combate à Covid-19 e na defesa da saúde de suas populações.
 
Milhões de brasileiros estão em risco. O fantasma do esgotamento do sistema médico-hospitalar é risco real.
 
Entre nós, os médicos, a Covid-19 se mostra mais implacável ainda: enquanto a relação de casos entre os 209 milhões de brasileiros é de 4,3%, a razão entre profissionais de Medicina da linha de frente é de 23,4%, segundo pesquisa divulgada há duas semanas pela Associação Médica Brasileira e Associação Paulista de Medicina, depois de colher impressões de 3.885 médicos.
 
Aliás, na mesma pesquisa, os médicos foram questionados sobre como avaliam a resposta da população às orientações para o uso de máscara, isolamento, distanciamento etc., e 50,5% dizem que em nenhuma delas há adesão suficiente. Há várias leituras para esses índices. Entretanto, a relação mais direta se dá com o negacionismo sobre a gravidade da doença, a alta transmissibilidade viral, a propaganda de tratamentos sem comprovação científica e a disseminação de fake news. Entre estas, não se pode subdimensionar os enormes danos causados pelas criminosas notícias falsas que são veiculadas sobre a falta de segurança e de eficácia das vacinas contra a COVID-19.
 
Diante de tal cenário, a AMB externa o entendimento de que todas as medidas necessárias e possíveis para o enfrentamento da pandemia têm de ser colocadas em prática já.
Conclamamos a todos os secretários da saúde (municipais e estaduais) e ao Ministério da Saúde e se unirem para cumprir a missão que lhes cabe de guardiãs da qualidade de vida e do bem-estar dos brasileiros. Ideologias, preferências políticas, diferenças quaisquer outras não podem prevalecer, sob hipótese alguma em instante qualquer.
 
A prioridade, agora e mais do que nunca, deve ser a saúde dos brasileiros. Temos que vencer a epidemia. Só assim teremos um Brasil de volta ao seu curso normal que, esperamos, possa ser com mais saúde e prosperidade para todos”
 
César Eduardo Fernandes
presidente da Associação Médica Brasileira

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