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Luto: trauma individual ou coletivo acarreta doença de estresse pós-traumático

O luto é a elaboração de uma perda e do rompimento de um vínculo significativo. A dor pela perda de alguém que se ama é subjetiva e tem efeitos e processos diferentes em cada pessoa. Em comum, todos que perdem alguém ficam com o grande desafio de renascer de uma dor profunda. Quando a perda é repentina, como no caso de acidentes, doenças súbitas, ou crimes, o trauma do processo de luto é maior, pois não se fecham ciclos, não há despedidas, não há outras oportunidades.

O trauma da perda gera reações de estresse pós-traumático, como as fobias, e reações que vêm acompanhadas de sintomas físicos e psicológicos diversos e que podem chegar a níveis incapacitantes, tais como ansiedade, taquicardia, crises de pânico e até desmaios.

Normalmente um cérebro que passa por um evento traumático ou quaisquer eventos que sobrecarregue o hemisfério direito, que agrega as emoções, o processamento adaptativo de informações do cérebro fica tão sobrecarregado que estas memórias são deslocadas, e voltam a aparecer sempre que o paciente se depara com imagens do evento. As emoções, as crenças negativas e as sensações corporais são revividas e ativadas.

Traumas e catástrofes coletivas: EMDR e a OMS

O EMDR é a terapia indicada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) desde 2013 como uma das abordagens "Classe A" para o tratamento do Estresse Pós-Traumático (TEPT) e foi desenvolvido para o tratamento de traumas de veteranos de guerra, nos EUA, nos anos 80. No Brasil, os especialistas da Associação Brasileira de EMDR já prestaram atendimento gratuito após as catástrofes de Mariana e Brumadinho e atenderam todos os pais e alunos da escola Raul Brasil, após o massacre em Suzano, entre outros acontecimentos que geram grande trauma coletivo. Altamente indicado nesses casos, o EMDR segue crescendo no país.

O EMDR

Com o EMDR, que somente pode ser aplicado por médicos ou psicólogos devidamente capacitados (pelos institutos globais homologados, direcionados pelas diretrizes da Emdria - Associação Internacional de EMDR/USA), o paciente é incentivado a expor seus medos ou sensação traumática, e assim através dos movimentos dos olhos, o cérebro recebe a ajuda necessária para processar o fato e o arquiva de uma forma funcional. As informações perturbadoras são desatadas por um caminho adaptativo até que pensamentos, sentimentos, medos, traumas, imagens e emoções tenham desaparecido e espontaneamente substituídos por uma atitude positiva.

Trata-se de psicoterapia que ocorre por meio de estímulos oculares, táteis, auditivos bilaterais, eficazes no tratamento do stress pós-traumático, que permite ao paciente identificar, reprocessar e superar traumas e eventos adversos. Com o EMDR é possível desenvolver e ampliar a capacidade de tolerância emocional e consequente resiliência, ajudando a desenvolver adultos, crianças e jovens mais saudáveis com capacidade de se auto regular, lidar com suas emoções, ter uma perspectiva positiva, interagir e se vincular corretamente e se tornar um membro produtivo da sociedade.

Podemos falar em cura, porque a partir do momento em as memórias traumáticas são dessensibilizadas e reprocessadas durante o trabalho, o paciente vai ter a lembrança do evento difícil ou traumático, com um nível de perturbação pequeno. O objetivo da terapia é fazer com que o paciente reaja com tranquilidade ao alvo onde é necessário "limpar" cada canal de memória que está associado a este alvo. Este reprocessamento é realizado durante cada série de movimentos oculares (ou outros estímulos) e encaramos cada estágio progressivo de reprocessamento como um platô, onde imagens, pensamentos e emoções completam uma mudança em seu progresso em direção a uma resolução terapêutica mais ampla.

Além de traumas de luto, a terapia de EMDR pode ser utilizada para fobias, lembranças dolorosas, transtornos de ansiedade, transtornos impulsivos, síndrome do pânico, transtornos depressivos, distúrbios do sono, pesadelos, terror noturno, relacionamentos interpessoais comprometidos, divórcio dos pais, transtornos alimentares, transtornos relacionados à educação sexual, abuso sexual, violência física, violência psicológica, sequestro, distúrbios do sono, enurese noturna, dor crônica, transtorno obsessivo compulsivo, encoprese, dificuldades na aprendizagem, Autismo, Síndrome de Down, ansiedade de performance em atletas, terapia de casais, terapia de famílias, entre outras.
 

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