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Rotulagem nutricional: existe um modelo ideal? SBC se pronuncia

Até o fim deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve definir o novo padrão de rotulagem dos produtos alimentícios processados no país, com alertas para a alta concentração de açúcares, sódio e gorduras saturadas. Consultas públicas foram realizadas, mas o modelo ideal, na opinião da Sociedade Brasileira de Cardiologia, seria uma mescla das três propostas em discussão: o da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação – ABIA, a do Instituto de Defesa do Consumidor – IDEC, e a da Associação Brasileira de Nutrologia – ABRAN, que tenta adaptar modelo francês.

“A proposta do IDEC é técnica, muito punitiva e não é educacional. O Semáforo da ABIA é bom, mas necessita de modificações. E o modelo francês, é muito complexo para o entendimento geral de todas as classes sociais brasileiras, precisa se ‘abrasileirar’”, avalia o coordenador do Departamento de Nutrição da SBC, Daniel Magnoni.  Este será um dos temas a serem debatidos durante o 73º Congresso de Cardiologia, entre os dias 14 a 16 de setembro, em Brasília.

Para Daniel Magnoni, tão importante quanto o novo rótulo é o governo federal investir em comunicação educacional. “Junto com o mecanismo de mudança da rotulagem, precisa haver a comunicação de como o brasileiro deve ler este rótulo: a pessoa aprende a interpretar aquelas informações, passa a comer melhor e a ter menos doenças”.
Outro ponto importante é que o governo deve interagir com as sociedades médicas, como por exemplo, a SBC, criando canais de capilarização das suas metas, projetos e materiais de comunicação. Segundo Magnoni, por meio dos sócios da SBC, os órgãos governamentais poderiam levar diretamente a população os informes e cartilhas educacionais, “mesmo nas pequenas cidades, você sempre encontra um profissional de saúde disposto a fornecer material educativo a seus pacientes”, completa Magnoni.
 
Modelo ABIA (semáforo nutricional):

A proposta do setor para a Rotulagem Nutricional Frontal é o Semáforo Nutricional Quantitativo, com base indicativa por porção, no qual os ícones de sódio, açúcares totais e gordura saturada passam a ser coloridos em verde, amarelo ou vermelho, facilitando o entendimento do consumidor sobre a quantidade de cada nutriente contida nos alimentos. O painel também terá a indicação de Valor Energético por porção e sua relação com o valor diário recomendado. A ideia é que o consumidor possa combinar alimentos rotulados com as diferentes cores, de forma a compor sua dieta e não ultrapassar a recomendação diária para cada um dos nutrientes.   

Modelo IDEC:

A proposta, realizada em parceria com pesquisadores da UFPR (Universidade Federal do Paraná), sugere que se inclua um selo de advertência, na parte da frente da embalagem de alimentos processados e ultraprocessados (como sopas instantâneas, refrigerantes, biscoitos, etc.), indicando quando há excesso de açúcar, sódio, gorduras totais e saturadas, além da presença de adoçante e gordura trans em qualquer quantidade. 

Os critérios para inclusão dos nutrientes críticos abordados no Modelo foram baseados nas metas de ingestão de nutrientes para a população (MINPs) estabelecidas pela OMS para prevenção da obesidade e das DCNTs relacionadas descritas em Dieta, Nutrição e Prevenção de Doenças Crônicas, uma publicação da OMS e da FAO que indica quais nutrientes devem ser analisados e informa os níveis máximos aceitáveis de consumo.

 Na opinião de Daniel Magnoni, o modelo de advertência, sinalizando uma punição e induzindo a um processo de culpa se destaca e se sobrepõe ao alimento comprometendo a percepção de informações que podem interessar ao consumidor. “O modelo do semáforo nutricional quantitativo, proposto pela ABIA, fornece informações para que o consumidor faça suas escolhas alimentares, no entanto carece de ferramentas de conscientização. Já o modelo baseado em advertência do IDEC é pouco democrático e sem critérios educacionais, tira a escolha do consumidor e faz essa escolha por ele, na medida em que passa a mensagem do que pode ou não ser consumido, com informações vagas como “muito”, “alto” e outras mensagens taxativas”, avalia.
 
Modelo ABRAN:

A ABRAN propôs à Anvisa o modelo Nutri-score, desenvolvido pela Universidade Paris XIII e que passou a ser utilizado na França recentemente. Ele avalia cada alimento de acordo com sua densidade nutricional, ou seja, qualidade nutricional como um todo, incluindo os ingredientes bons e ruins para a saúde. A diferença entre os modelos Nutri-score e Semáforo Nutricional Quantitativo é que o defendido pela ABRAN usa também letras.

“Nos estudos realizados pelo setor de alimentos, o Nutre-score chegou a ser considerado, mas após muitas discussões, a conclusão foi de que o Semáforo Nutricional Quantitativo da ABIA seria a forma mais didática e descomplicada de informar e empoderar o consumidor, para que ele faça suas escolhas”, finaliza Magnoni.
 

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