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Centro Infantil Boldrini inaugura maior Centro de Pesquisa em oncologia pediátrica da América Latina

Na data em que se comemora o Dia Nacional do Combate ao Câncer, o Centro Infantil Boldrini, hospital filantrópico que é referência em tratamento de doenças onco-hematológicas pediátricas, pesquisas científicas e capacitação profissional na América Latina, inaugurou o Centro de Pesquisa Boldrini, maior centro de pesquisa latino-americano com foco em câncer pediátrico.

Com 40 anos de história, cerca de 10 mil pacientes com câncer atendidos e índices atuais de cura entre 70% e 80%, níveis alcançados nos principais centros internacionais, o hospital reforça seu protagonismo no tratamento do câncer ao construir um Centro de Pesquisa, com o intuito de fomentar o avanço científico e tecnológico para combate ao câncer da criança e do adolescente. “Além de ampliar e modernizar a infraestrutura laboratorial que já existe no hospital, o Centro de Pesquisa terá por finalidade propiciar um espaço de intercâmbio e cooperação científica na área, com capacidade de compartilhamento entre diversas instituições de pesquisa nacionais e internacionais e abrangência ainda inexistente no Brasil”, explica Silvia Brandalise, presidente da Instituição.

A evolução dos resultados de tratamento de câncer pediátrico obtidos no Boldrini ao longo das quatro décadas de atuação evidencia a importância do investimento em pesquisa. Na primeira década após a fundação da instituição (1978), o índice de mortalidade era de 52%; nos dez anos seguintes, esse número baixou para 37%, sendo reduzido para 31% na década posterior e alcançando a taxa de 21% após 2008¹. Esta evolução coloca o Boldrini entre os principais centros de excelência na América Latina.

A construção do Centro de Pesquisa Boldrini teve início em 2014 e contou com investimento de R$ 50 milhões, oriundos de recursos do Ministério Público do Trabalho, provenientes da indenização caso Shell-Basf, cerca de R$ 700 mil do Instituto Ronald McDonald, para produção do projeto básico/executivo e aquisição de equipamentos para dois laboratórios; e com apoio das empresas parceiras. 
   
Atualmente, a maior parte das pesquisas tem focado no câncer do adulto, o que consequentemente leva ao atraso na aplicação de novos conhecimentos e terapias alvo na oncologia pediátrica – daí a importância de um centro voltado para a área. “Nosso objetivo é mudar esse cenário, traduzindo esforços em benefícios para os pacientes pediátricos, bem como o fomento para iniciativas nacionais de produção de novos medicamentos contra o câncer da criança. O Centro de Pesquisa Boldrini está apto a ser protagonista nas diferentes etapas necessárias ao processo de inovação e desenvolvimento de produtos. Além disso, a proximidade dos laboratórios de pesquisa com o local onde se desenvolvem as atividades clínicas (Centro Infantil Boldrini), coloca a estrutura em situação privilegiada para a realização de estudos clínicos”, complementa Dra. Silvia Brandalise.

O Centro de Pesquisa Boldrini conta com cerca de 5 mil metros quadrados de área construída, que abrigarão laboratórios com tecnologia de ponta, para aumentar a produção e disseminação de conhecimentos nas áreas de epidemiologia e da biologia molecular e celular do câncer pediátrico.  ”A ideia é criar um ambiente de trabalho capaz de absorver os conhecimentos científicos, em continuo diálogo com a equipe médica, de modo a estimular ambos os lados a perceberem e criarem novas abordagens diagnósticas e de tratamento dos pacientes” diz o Dr. José Andrés Yunes. 

Nos países em desenvolvimento, como o Brasil, o incentivo à pesquisa é sobretudo focado no doutorado. Posteriormente, os pós-graduandos de maior excelência procuram inserção nos grandes laboratórios e universidades internacionais e frequentemente os perdemos, porque não oferecemos fácil assimilação, seja no ambiente acadêmico, seja na indústria. O Centro de Pesquisa Boldrini terá como uma de suas metas primordiais contribuir para a atração e retenção de talentos interessados na investigação do câncer da criança, revertendo uma tendência já estabelecida de perda de pesquisadores promissores, a qual é altamente corrosiva para a consolidação da ciência e tecnologia nacionais. O Centro de Pesquisa criará seu próprio programa de suporte ao pós-doutorado e Jovens Pesquisadores, em colaboração com Agências Nacionais e Internacionais de fomento. Estima-se que o Centro acolha em seu pleno funcionamento cerca de 200 profissionais, dentre eles pesquisadores principais, jovens pesquisadores, pós-doutorandos, doutorandos, mestrandos e técnicos de nível superior.  

“As instalações físicas para o trabalho em sistema GMP (Good Manufacturing Practices) serão um aspecto importante do Centro de Pesquisa Boldrini, com a perspectiva de implementação futura de ensaios clínicos de fase I/II de terapias gênicas e celulares de última geração. É possível, por exemplo, modificar geneticamente o sistema imune dos pacientes, de forma a torná-lo capaz de eliminar as células tumorais. Usando esta abordagem em alguns centros americanos e europeus, tem sido alcançada a cura de crianças com leucemia resistente ao tratamento quimioterápico, através da terapia com linfócitos modificados do próprio paciente, via inserção de genes que produzem receptores ‘antileucemia’. Todavia, o número de pacientes tratados em todo o mundo não passa de algumas centenas, porque este tipo de intervenção é ainda muito caro e complexo. Ademais, há pouquíssimas instituições que possuem instalações adequadas para esta modalidade de imunoterapia e é muito difícil montar as equipes com a expertise multidisciplinar altamente especializada necessária à sua implementação. O Centro de Pesquisa Boldrini terá tanto as instalações, quanto a capacidade de formar uma equipe com expertise de ponta, que nos permitam mover gradualmente na direção deste novo tipo de medicina molecular” diz o Dr. Pedro O. de Campos Lima. 

 

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