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Dores e cãibras nas pernas podem indicar estenose do canal lombar

Dores e cãibras nas pernas podem ser comuns depois de caminhar muito ou ficar de pé por um período prolongado. Por outro lado, quando estes sintomas se apresentam de forma constante e são acompanhados por outros, como formigamento e sensação de choque, podem ser sinais da presença da estenose do canal lombar.
 
Segundo o neurocirurgião Dr. Iuri Weinmann, especialista em Medicina e Cirurgia da Coluna, a estenose do canal lombar é causada pelo estreitamento do canal espinhal, por onde passam a medula espinhal e os nervos. “Os sintomas estão relacionados à compressão dos nervos e das demais estruturas afetadas por esse estreitamento”.
 
Dor piora em descidas

A dor nas pernas ao andar é chamada de claudicação neurogênica e possui características bem específicas. “Ela se agrava quando a pessoa está caminhando em um terreno em declive, ou seja, descendo, e melhora com a inclinação do corpo para frente ou ainda quando se senta”, explica Dr. Iuri.
 
De acordo com o especialista, a melhora acontece porque a flexão costuma reduzir a compressão das raízes nervosas. “Estes aspectos são importantes para diferenciar a claudicação neurogênica da claudicação vascular. A estenose lombar pode causar ainda choques, formigamentos, dores na região lombar e perda da sensibilidade nas pernas”.
 
Irradiação da dor

Em muitos casos, a dor pode atingir outras partes do corpo. “Os pacientes costumam pensar que se trata de dor no nervo ciático, pois é bem parecida. A compressão das raízes nervosas pode irradiar a dor para os quadris, nádegas e para a parte posterior das pernas”, comenta Dr. Iuri.
 
Uma das piores consequências da estenose do canal lombar é que pode afetar levar à incontinência urinária e/ou fecal. Essas manifestações são mais preocupantes. Isso porque, mesmo após o tratamento, o paciente pode continuar a apresentar esses sintomas.

"Por isso, é fundamental procurar um especialista em medicina da coluna precocemente. O diagnóstico e o tratamento precoces melhoram o prognóstico, ou seja, o resultado do tratamento”, reforça o neurocirurgião.  
 
Idade é principal fator de risco

Com o envelhecimento da população, a estenose do canal lombar tende a se tornar cada vez mais prevalente. Cabelos brancos e rugas são apenas sinais externos do envelhecimento. O que quase ninguém lembra é que todo o nosso corpo, incluindo ossos, músculos e outras estruturas internas, também passa pelo processo de degeneração, típico do envelhecimento.
 
“Doenças como osteoartrose, hérnia de disco e problemas nos ligamentos da coluna são condições degenerativas, que podem levar ao estreitamento do canal espinhal. Todos são fatores de risco associados à idade. O principal grupo de risco são pessoas com mais de 50 anos. Em raríssimos casos, traumas e alguns tipos de câncer podem levar à estenose do canal lombar. Existe ainda a forma congênita da doença, mas é menos prevalente”, explica Dr. Iuri.

Como é o tratamento

Inicialmente, é recomendado o tratamento conservador. Porém, uma parcela dos pacientes não responde a estas terapias e pode precisar de uma cirurgia. Graças aos avanços das técnicas cirúrgicas minimamente invasivas, a estenose do canal lombar pode ter tratada por meio da microdescompressão do canal lombar.

Trata-se de um procedimento minimamente invasivo, com alto nível de segurança. De acordo com estudos, os pacientes apresentam melhora da capacidade funcional e redução da dor. O principal objetivo do procedimento é a descompressão dos nervos e das estruturas afetadas pelo estreitamento do canal espinhal.

Como é feita?

“É uma cirurgia neuroendoscópica, realizada com anestesia local. Por meio de uma pequena incisão, de cerca de 1 cm, e com a ajuda da fluoroscopia, uma espécie de raio-X intraoperatório, o neurocirurgião introduz uma cânula. Neste instrumento, está acoplada uma microcâmera que mostra em tempo real as imagens da área a ser operada em um monitor full-HD”, explica Dr. Iuri.

A cirurgia neuroendoscópica da coluna apresenta várias vantagens quando comparada a uma cirurgia convencional (aberta). “Um dos principais diferenciais é que permite operar pacientes idosos ou àqueles com contraindicação para uma cirurgia aberta. Além disso, reduz os riscos de complicações associados à anestesia geral, o tempo de internação, há menor perda de sangue e a recuperação é mais rápida”, conclui o neurocirurgião.
 

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