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Tique nervoso pode mascarar distonia muscular

O dia 06 de maio é marcado como o Dia Nacional da Distonia, uma síndrome neurológica pouco conhecida, mas que de acordo com o Ministério da Saúde, afeta cerca de 65 mil brasileiros¹. Esta síndrome caracterizada por contrações e movimentos involuntários é frequentemente confundida com “tiques nervosos”, ou seja, problemas  de origem emocional. Esse entendimento dificulta o diagnóstico das distonias e implica em atraso na indicação do tratamento adequado para minimizar os impactos da doença na vida do paciente.

“As distonias são movimentos involuntários que podem acometer qualquer parte do corpo, se caracterizam por serem repetitivos e por causarem posturas anormais ou torção de segmentos corporais”, explica o Dr. Vitor Tumas, membro titular da Academia Brasileira de Neurologia,  Professor e Coordenador do Setor de Distúrbios do Movimento e Neurologia Comportamental da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

O especialista complementa: “As formas mais comuns são as distonias primárias, que podem causar “repuxos musculares” que desviam a cabeça involuntariamente, ou “entortam a mão” ao escrever, ou repuxam a face, ou alteram a voz, etc. As distonias primárias são chamadas idiopáticas e a maioria provavelmente tem origem genética. Elas acometem homens e mulheres entre os 40 e 60 anos de idade e podem causar grande transtorno na vida dos pacientes. Já as distonias secundárias podem ser ocasionadas por um AVC (acidente vascular cerebral), uso contínuo de drogas antipsicóticas ou outros transtornos neurológicos”.

Pelo fato de as distonias poderem ser atribuídas equivocadamente a problemas emocionais, elas podem eventualmente também ser confundidas com “tiques” (movimentos involuntários com outras características e outra origem). O especialista afirma que a principal diferença é que os “tiques” podem ser momentaneamente controlados pela vontade do indivíduo, e geralmente os pacientes com tiques sentem a necessidade de fazer o movimento anormal, o que não acontece nos pacientes com distonia.

Os espasmos provocados pela doença costumam acometer apenas uma região do corpo, como os olhos, o pescoço, os braços ou as pernas. Em casos mais avançados, o paciente encontra limitações em ações cotidianas como falar, andar, comer sozinho e tomar banho, podendo até levar à imobilização completa em casos mais raros. Por isso a importância do diagnóstico precoce: quanto antes tratada, menores são os impactos e melhores são as condições de qualidade de vida do paciente. “A maioria dos pacientes com distonia vai conviver com o problema durante o resto da vida, já que para a maioria dos casos não há uma cura definitiva”, aponta o especialista.

Por outro lado, é possível controlar de forma satisfatória os sintomas da maioria dos pacientes. Isso é feito por meio da aplicação da toxina botulínica A no músculo acometido, com o objetivo de diminuir os movimentos involuntários e eventualmente a dor, e assim devolver o movimento normal ao paciente. O medicamento é fornecido pelo SUS gratuitamente desde 2009².

Referências:

¹O Globo [Internet]. Distonia causa contrações involuntárias dos músculos e afeta 65 mil brasileiros. Disponível em: https://extra.globo.com/noticias/saude-e-ciencia/distonia-causa-contracoes-involuntarias-dos-musculos-afeta-65-mil-brasileiros-22728549.html . Acesso em 29 de março de 2019.
 
²Ministério da Saúde – Secretaria de Atenção a Saúde [Internet]. PORTARIA Nº 376, DE 10 DE NOVEMBRO DE 2009. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/sas/2009/prt0376_10_11_2009.html
Acesso em 29 de março de 2019.
 

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