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Especialista italiano apresenta conferência em SP sobre dor que atinge 30 milhões de pessoas

Entre os dias 19 e 22 de junho acontece em São Paulo, no Centro de Convenções Frei Caneca, o 14º Congresso Brasileiro da Dor (CBDor) realizado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED). O evento terá diversos convidados nacionais e internacionais que levarão ao público conhecimentos sobre o tema da dor de diferentes áreas da saúde.

Um dos destaques da programação será a conferência sobre Dor Orofacial, apresentada pelo médico italiano Luca Guarda-Nardini, chefe do departamento de Cirurgia da Maxilo-Facial ULSS 2 Marca Trevigiana, especialista em Cirurgia Maxilofacial, Otorrinolaringologia, Odontologia e mestre em Cirurgia da ATM. 

Muitas pessoas não sabem, mas dor de ouvido, um entupimento no canal auditivo e até uma dor de cabeça constante podem ser sintoma de um problema pouco conhecido: a DTM, sigla para disfunção temporomandibular, uma doença que, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), atinge cerca de 30 milhões de pessoas no mundo.

 Na apresentação, o especialista Luca Guarda-Nardini abordará detalhes sobre as DTMs, também conhecidas como disfunções da ATM, que podem causar dor, dificuldade de abrir ou fechar a boca, zumbidos e podem ser decorrentes de problemas musculares, articulares ou como consequência de doenças sistêmicas.

Na entrevista abaixo, Luca Guarda dá uma prévia do que abordará em sua conferência no CBDor. Confira.

Os deslocamentos do disco da articulação temporomandibular são alguns dos diagnósticos de DTM mais comuns. Como abordar essas condições?

Dr. Luca Guarda – O deslocamento do disco da articulação temporomandibular (ATM) é uma relação posicional anormal entre o disco e a cabeça da mandíbula, o tubérculo articular ou a fossa mandibular. Em geral, é possível agrupar essas condições em duas categorias: deslocamento do disco com redução (DDCR) e deslocamento do disco sem redução (DDSR). O DDCR é o mais comum da ATM. É comumente uma condição assintomática e geralmente não é necessário tratamento, uma vez que as estruturas nessa região podem se adaptar e a progressão é extremamente benigna para a maioria dos casos. O tratamento deve ser feito quando o DDCR é a principal queixa do paciente e o ruído motiva o paciente a procurar tratamento ou o ruído é acompanhado por dor. Diferente do DDCR, no DDSR, seja com a boca aberta ou fechada, o disco permanece deslocado anteriormente em relação à cabeça da mandíbula, sendo a dor e limitação de abertura bucal queixas comuns dos pacientes. Nesses casos, o tratamento para  o DDSR deve ser, a princípio, reversível e conservador (medicamentos, dispositivos interoclusais e fisioterapia), porém, se esses métodos não forem eficientes, procedimentos cirúrgicos devem ser considerados.

Entre os vários procedimentos para tratamento das desordes da ATM, quando devemos indicar a artrocentese da articulação temporomandibular? Qual a melhor técnica de artrocentese para essa articulação?

Dr. Luca Guarda – A técnica de artrocentese foi introduzida há cerca de 30 anos. É uma cirurgia articular minimamente invasiva e é eficaz para diminuir a dor, aumentando a distância interincisal máxima, eliminando o derrame articular e melhorando a saúde bucal relacionada à qualidade de vida dos pacientes com distúrbios da ATM. A literatura mostra que a artrocentese é indicada para diversas desordens da ATM, quando os métodos conservadores falham, como doenças inflamatórias e degenerativas, deslocamentos do disco doloroso e hipomobilidade da articulação por ocorrências de aderências discais. Há um total de 12 técnicas distintas descritas na literatura. Dessas, 5 são classificadas como artrocentese por dupla punção (duas agulhas) e 7 como artrocentese por punção única (uma agulha). A adoção de uma agulha única tanto para injeção de líquido quanto para aspiração pode ter algumas vantagens com relação à abordagem tradicional de 2 agulhas em termos de tempo de execução, tolerabilidade e retenção de medicação. No entanto, ambas as técnicas são eficazes na redução da dor articular e aumento da distância interincisal máxima. A técnica de artrocentese tem sido amplamente utilizada junto com drogas adicionais, como infiltrações de hialuronato de sódio, analgésicos intra-articulares, corticosteroides e plasma rico em plaquetas. Todas as drogas adicionais são igualmente eficazes, mas artrocentese mais injeção de ácido hialurônico parece ser mais aceitável pelos pacientes.

Qual atual evidência sobre a injeção de ácido hialurônico na ATM?

Dr. Luca Guarda – O ácido hialurônico (AH) é um polissacarídeo, glicosaminoglicano que é encontrado naturalmente nas cartilagens e no líquido sinovial. O AH também contribui para a elasticidade e viscosidade do líquido sinovial, fornecendo proteção contra impactos mecânicos. Tem sido sugerido que a administração direta de AH exógeno na ATM poderia ter efeitos tanto antiinflamatórios quanto analgésicos. Além disso, a administração de AH poderia ativar uma cascata de eventos bioquímicos que acabariam por levar à reparação tecidual na cartilagem articular / fibrocartilagem, que, por sua vez, normalizaria a síntese de AH endógeno pelas células sinoviais e reduziria o coeficiente de atrito articular. Agindo em conjunto, esses efeitos poderiam reduzir potencialmente o risco de danos às superfícies articulares. As injeções na ATM de AH constituem um procedimento conhecido como viscossuplementação. É uma alternativa terapêutica simples, minimamente invasiva e de baixo risco para o tratamento de vários distúrbios internos da ATM, como DDCR, DDSR e osteoartrite da ATM. Vários protocolos de injeções foram descritos. Um ciclo de cinco injeções semanais de AH realizadas imediatamente após a artrocentese mostra ser a melhor intervenção. No entanto, a literatura sugere futuras investigações para reduzir o número de intervenções múltiplas de viscossuplementação da ATM. Considerando o peso molecular, o AH de baixo ou médio peso molecular apresentam efeito positivo adicional após artrocentese para osteoartrite da ATM.

Qual é o papel da membrana amniótica humana no tratamento dos transtornos degenerativos da ATM?

Dr. Luca Guarda – A membrana amniótica humana (MAH) tem sido usada com sucesso há mais de uma década para uma ampla gama de aplicações cirúrgicas. A MAH é derivada das membranas fetais que consistem da membrana amniótica interna feita de uma única camada de células amniônicas fixadas ao mesênquima rico em colágeno ligado ao córion. A MAH tem baixa imunogenicidade, propriedades antiinflamatórias e suas células podem ser isoladas sem o sacrifício de embriões humanos. A membrana amniótica tem propriedades biológicas que são importantes para as aplicações experimentais e clínicas no gerenciamento de pacientes de várias especialidades médicas. A biomembrana abundante, natural é maravilhosa não só protege o feto, mas também tem várias aplicações clínicas no campo da dermatologia, oftalmologia, ortopedia e cirurgia dentária. Como é descartado após o parto, pode ser útil para a medicina regenerativa e terapia celular para tratar tecidos danificados ou doentes. Os benefícios do posicionamento da MAH nas ATM com graves distúrbios inflamatórios-degenerativos podem estar relacionados às suas propriedades antiinflamatórias e antimicrobianas e à baixa imunogenicidade. Além disso, graças às suas propriedades analgésicas, demonstrou-se que a aplicação de MAH em feridas reduz acentuadamente a intensidade da dor experimentada pelos pacientes. Com base nas indicações emergentes de seus possíveis efeitos analgésicos e regenerativos, o desenho de ensaios sobre o tema deve ser incentivado para sua possível inclusão no campo da prática das DTM.

Para saber mais sobre o congresso, acesso: http://sbed.org.br/14o-cbdor/

 

 

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