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Tratamento do câncer traz disfunções endócrinas

Médica explica as consequências de acordo com cada glândula

Diversos tratamentos contra o câncer podem causar disfunções hormonais. “É importante que o oncologista se atente aos sintomas que possam ser decorrentes de disfunções endócrinas, para que o diagnóstico e o tratamento sejam precoces. Diabetes mellitus, que pode ser causado ou exacerbado pelo tratamento oncológico, disfunções tireoidianas, paratireoidianas, adrenais e hipofisárias são algumas dessas endocrinopatias”, alerta a Dra. Ana Hoff, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regiobal São Paulo – SBEM-SP.

As principais disfunções de acordo com as glândulas endócrinas:

Tireoide: A radioterapia usada para câncer de cabeça, pescoço e linfoma pode causar hipertireoidismo transitório e hipotireoidismo prolongado. “O aparecimento de nódulos de tireoide em até três décadas após o tratamento radioterápico também é frequente”, comenta a Dra. Ana.

As drogas mais novas no mercado oncológico chamadas de imunoterápicos ou inibidores do "checkpoint" também causam disfunção tireoidiana em aproximadamente 15% dos pacientes. “As endocrinopatias associadas aos imunoterápicos são tão frequentes que já existem diretrizes para a avaliação prospectiva dos pacientes submetidos a estes tratamentos”, pontua a endocrinologista.

Suprarrenal: a insuficiência adrenal também é frequente nos pacientes com câncer, seja pelo uso do corticoide que é utilizado como medicamento de suporte durante a quimioterapia ou utilizado como tratamento do câncer nos casos de linfoma e mieloma múltiplo, ou seja pelo uso de outros medicamentos como os inibidores de quinase e imunoterápicos.

Pâncreas: a descompensação diabética é extremamente comum nesses pacientes, principalmente naqueles com câncer hematológico.

Hipófise: o hipopituitarismo pode ocorrer em pacientes com tumores do sistema nervoso central após o tratamento cirúrgico ou radioterápico causando não só disfunção da adenohipófise, mas também diabetes insipidus. “O panhipopituitarismo é muito importante nos pacientes pediátricos já que afeta o crescimento e o início da puberdade. Nestes casos, comumente, pacientes precisam de reposição de todos os hormônios”, explica a médica.

Gônadas: o hipogonadismo no homem e a insuficiência ovariana na mulher também são frequentes. Na mulher, a principal causa da falência ovariana e menopausa é o tratamento para o câncer de mama que inclui quimioterápicos que resultam na menopausa precoce e a terapia anti-estrogênica. No homem com câncer de próstata, a terapia de deprivação androgênica causa o hipogonadismo. Nos pacientes masculinos mais jovens, observa-se hipogonadismo naqueles com câncer de testículo submetidos a orquiectomia e em indivíduos com tumores do sistema nervosa central, causando o hipogonadismo central como mencionado acima nas disfunções hipofisárias.

Osso: a osteoporose é frequente nos pacientes tratados com a terapia de deprivação androgênica (câncer de próstata), inibidores de aromatase (câncer de mama), em pacientes com linfoma, mieloma múltiplo e todos os pacientes que necessitam de terapia com corticoide.

Como as endocrinopatias são muito frequentes nos pacientes oncológicos, o oncologista deve-se manter em alerta e investigar disfunções hormonais de acordo com os sintomas ou em caso de drogas em que estas disfunções são muito frequentes como com os imunoterápicos há critérios estabelecidos de rastreamento prospectivo destas disfunções endócrinas.

 

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