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A importância da suplementação alimentar antes e depois da cirurgia bariátrica

Hoje em dia, a cirurgia bariátrica é o melhor método para o tratamento da obesidade mórbida. Contudo, a rápida perda de peso que ocorre após esse procedimento é seguida por uma considerável diminuição de massa muscular e a necessidade proteica se torna ainda maior. “Independentemente da técnica utilizada, todas as cirurgias levam a uma grande perda de peso, que é mais intensa nos primeiros 6 meses de pós-operatório. Com a cirurgia, a ingestão de nutrientes passa a ser menor e a absorção de alguns destes nutrientes também é modificada, seja por desvio da passagem dos alimentos por uma área de absorção do intestino e/ou por menor secreção de enzimas e sucos digestivos que auxiliam na sua absorção”, explica Iomara Isidorio Cavalcante, nutricionista do Hospital Albert Sabin de São Paulo (HAS).

“De uma forma geral, os déficits nutricionais mais comuns são: proteína, ferro, zinco, cálcio, vitamina D e vitaminas do complexo B. Os sinais e sintomas que geralmente podem ocorrer são: queda de cabelo, unhas quebradiças, anemia, fraqueza, cansaço, pele ressecada, "formigamento" das extremidades (braço/mãos e pernas/pés) e falta de memória”, avalia Cavalcanti.  A nutricionista lembra que também é necessária uma avaliação nutricional pré-operatória dos pacientes candidatos à cirurgia bariátrica.  Essa deverá ser realizada por equipe multidisciplinar, com o objetivo de informar sobre os riscos, benefícios e opções de técnicas cirúrgicas disponíveis, e se divide em três etapas:

Avaliação antropométrica – na qual será avaliada a compleição física através de peso, altura, circunferências, bioimpedância elétrica, dobras cutâneas e calorimetria;

Avaliação bioquímica – a partir de exames laboratoriais (sanguíneos) e exame de imagem como ultrassonografia de abdômen;

Avaliação Dietética – anamnese alimentar, questionário de frequência alimentar e recordatório 24h, que avalia a ingestão das principais vitaminas e minerais, bem como o consumo de alimentos proteicos ou muito calóricos (doces, gorduras, bebidas adoçadas e alcoólicas).

“A partir dessas avaliações, é possível identificar e tratar deficiências nutricionais, minimizar risco cirúrgico mediante redução de peso, planejar um programa alimentar de baixa caloria em pré-operatório, visando reduzir a gordura hepática e abdominal para, por fim, emitir um parecer nutricional”, diz Iomara.

Já no pós-operatório, as deficiências nutricionais podem ocorrer pela menor ingestão de alimentos, devido à redução do estômago e/ou pela diminuição da absorção dos nutrientes e podem variar conforme o tipo de cirurgia. A profissional do HAS ainda adverte que sequelas irreparáveis podem ser ocasionadas pelas deficiências nutricionais e devem ser evitadas com o uso de polivitamínico/mineral de forma preventiva, orais ou injetáveis, continuamente. “Além disso, o acompanhamento com o nutricionista deve fazer parte do protocolo de atendimento de todos os pacientes submetidos à cirurgia bariátrica, desde o pré-operatório e estendendo-se, dependendo do tipo de procedimento, por toda a vida”, finaliza.

 

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