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Em newsletter sobre mulheres na ortopedia, SICOT inclui pronunciamento de Patrícia Fucs

Em recente newsletter sobre o crescimento da participação do sexo feminino na área da Ortopedia, a SICOT – Societé Internationale de Chirurgie Orthopédique et de Traumatologie – publicou o depoimento da presidente da SBOT, Patrícia Fucs, ao lado de artigos sobre as ortopedistas da Colômbia, Suécia, Nigéria e do Reino Unido, além de um artigo que questiona porque, no campo da Medicina, a Cirurgia Ortopédica é a especialidade com maior disparidade de gênero, no mundo inteiro.

Em seu depoimento, encaminhado a todos os associados da SICOT, Patrícia explica a importância da SBOT, “uma das mais antigas sociedades ortopédicas mundiais, com 12 mil membros” e que é suplantada em número de associados apenas pela AAOS e pela EFORT. Ela destaca ainda sua importância na educação médica e nas campanhas pela saúde pública.

A presidente da SBOT ressalta igualmente os desafios de dirigir uma sociedade de especialidade num País de imensa dimensão territorial, no qual há diferenças extremas sejam culturais, sejam materiais. “A infraestrutura de um grande hospital nas regiões metropolitanas de Rio de Janeiro ou São Paulo tem pouco a ver com a realidade do ortopedista que trabalha na Amazônia”, diz ela.

Como exemplo das imensas dificuldades enfrentadas pelos ortopedistas que trabalham nas cidades mais distantes dos grandes centros, a presidente da SBOT lembra um caso recente, de um paciente com fratura da pelve que foi estabilizado, colocado numa canoa e transportado para ser operado num hospital de Manaus, onde só chegou após 21 dias de viagem, por rio.

Os outros depoimentos são tão dramáticos como o da ortopedista brasileira. Amparo Gómes, da Colômbia, conta que ao se titular como ortopedista em 1990, só havia uma ortopedista pediátrica e uma R4 de Ortopedia, na Colômbia. Face Amaraegbulam, da Nigéria, relata que dos 400 cirurgiões ortopédicos do País, só 4 são mulheres, uma das quais preferiu trabalhar fora da Nigéria.

A melhor situação parece ser da Suécia, pois Anna Ekman conta que dos 2.267 ortopedistas suecos, 288 são mulheres, o que corresponde a 13%. Mesmo na Inglaterra, Emma Taylor relata que o avanço é lento mas constante, pois hoje o Royal College of Surgeons tem 11% de mulheres, uma grande evolução perto dos 3% que havia em 1991.

Já Ruiba Jamallail, da Arábia Saudita, relata a luta contra os antifeministas, como um paciente com o cotovelo deslocado, que antes mesmo de ser atendido, gritou que uma mulher seria incapaz de resolver seu problema, pelo que exigia um ortopedista homem. “Apesar disso, hoje há 32 residentes de Ortopedia, no meu País”. O que demonstra a dificuldade das mulheres se imporem numa carreira até há pouco eminentemente masculina, é o depoimento da norte-americana Emily Miller. Ela afirma que embora 30% dos médicos do País sejam mulheres, as cirurgiãs ortopedistas representam apenas 5% da especialidade, “o maior desequilíbrio homem/mulher no campo da Medicina”, já que entre os urologistas as especialistas representam 8% e entre os neurocirurgiões, o sexo feminino chegou a 7,8% do total.
 

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