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ABN lança campanha que visa reduzir acidentes com motoristas da terceira idade

Com o passar dos anos, conforme vamos ganhando rodagem de vida, as condições de sono mudam. Dormir por oito horas ou mais deixa de fazer parte do padrão por questões biológicas.

Também aumentam os despertares à noite, quer para ir ao banheiro ou por problemas respiratórios. Estudo da National Sleep Foundation, instituição americana de pesquisas sobre o sono, acentua que o salutar, acima dos 65 anos, é dormir de sete a oito horas. Caso isso não ocorra, pode ser sintoma de algum problema como apneia ou doenças, como diabetes ou eventos cardiovasculares.
           
A privação de sono, não fosse somente pelos problemas de saúde que normalmente tem como causa, traz outros desdobramentos perigosos. Faz cerca de um ano, o Japão, nação com o maior número de idosos no planeta (são cerca de 30% com mais de 65 anos) apurou que motoristas a partir de 75 anos provocam duas vezes mais acidentes fatais do que aqueles de até 24 anos, considerada a principal faixa de risco no trânsito, por questões como ingestão de álcool e drogas, velocidade fora dos limites, entre outras.
           
A Academia Brasileira de Neurologia (ABN) acaba de lanças uma campanha que visa conscientizar a população idosa e seus familiares sobre como a qualidade do sono é decisiva nessa fase da vida e, em especial, sobre os riscos que a privação acarreta a quem dirige e a terceiros. O slogan é “Para envelhecer bem: durma bem, mas nunca na direção”.
           
De acordo com a dra. Lucila Bizari Fernandes do Prado, especialista em medicina do sono e medicina de tráfego, conta que há pouco mais de um ano a ABN fez amplo levantamento acerca dos distúrbios do sono e sua repercussão em casos de acidentes de trânsito.

Por exemplo: entre as principais causas de sonolência ao volante estão a privação de sono e os transtornos do sono. Os mais propensos a dirigir sonolentos são motoristas profissionais, indivíduos com transtornos do sono não diagnosticados, adultos de 18 a 29 anos (71%), homens (56% x 45%), adultos com crianças em casas (59%) e trabalhadores de turnos (36%).

“Os acidentes de trânsito são cada vez mais recorrentes no Brasil. Preocupa-se apenas em apontar os efeitos do álcool como as causas, porém, dependendo do grau de privação do sono e até da faixa etária, a consequência será equivalente ao de dirigir alcoolizado”, ressalta Gilmar Prado, presidente da Academia Brasileira de Neurologia.

Um dos transtornos do sono mais frequente, com prevalência de aproximadamente 33% na cidade de São Paulo, é a apneia obstrutiva do sono (AOS). As interrupções da passagem de ar pela garganta podem se repetir mais de 60 vezes por hora, levando à fragmentação do sono. Fadiga, sonolência diurna e déficit da atenção e da concentração, portanto, são consequências naturais.

Assim, indivíduos com AOS apresentam risco até sete vezes maior de acidentes. Outros transtornos do sono também podem comprometer a capacidade do motorista.

“Tomar um café e dirigir? Não. A cafeína demora de 20 a 30 minutos para fazer efeito. Mas a melhor coisa para combater a sonolência é realmente dormir”, alerta Gilmar.


Destaques da pesquisa

— Cerca de 60% das pessoas dormem entre 4 a 6 horas, menos do que gostariam, sendo que mais de 80% das pessoas gostariam de dormir mais de 7 horas.

— 75% das pessoas reconhecem que estão privadas de sono.

— Em média, os quase 500 participantes da pesquisa deram nota 6 para a qualidade do sono, 7 para o grau de alerta e 6 para a sensação de descanso, em uma escala de 0 a 10.

— 65% sentiram sono dirigindo na cidade e 68% na estrada.

— 16% dos participantes já se envolveram em acidente porque sentiram sono, podendo ser ainda maior esta porcentagem, já que é possível que não tenham relatado ocorrências mínimas.

— Apenas 10% não exibiram algum comportamento sugestivo de sonolência (bocejar, cantarolar, mascar chiclete, ligar o rádio).

— Cerca de 40% das pessoas já ziguezaguearam na estrada.

— Quase metade das pessoas já parou o veículo na estrada por causa do sono.

— Cerca de 75% dos participantes da pesquisa já tentaram reduzir o sono parando para tomar café.
 
— Cerca de 10% costumam dirigir com sono e 23% fazem isso pelo menos duas a três vezes por semana.

— Cerca de 61% das pessoas costumam dirigir no dia seguinte a uma péssima noite de sono.

— Mais da metade dos participantes conhece pelo menos uma pessoa que quase se acidentou por causa de sono e 39% conhecem pelo menos uma que efetivamente sofreu um acidente de trânsito por causa de sono.

— Dentre os 32 participantes (6,5%) que sofreram acidente de trânsito por causa de um problema de sono, a maioria era mulher e com mais de 40 anos

 

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