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Ataques à medicina são históricos

Atualmente, face à decadência da graduação, fruto da abertura indiscriminada es escolas médicas, os encontros científicos das sociedades de especialidades são frequentados inclusive por alunos do primeiro ao sexto anos. É nesses fóruns que eles buscam o conhecimento de excelência que não recebem nas faculdades caríssimas que são obrigados a pagar. Tal é a pujança de nossas sociedades de especialidades que muitas patrocinam bolsas para alunos, viabilizam programas de intercâmbio interinstitucional e têm suas publicações indexadas nas principais bases internacionais, um reconhecimento de qualidade.

Nossa Cardiologia, por exemplo, ombreia-se às capacitadas do planeta. A Ortopedia serve de parâmetro para o processo de concessão do título de especialização, sendo copiada em diversos países. Quando tenta tomar para si o processo de formação de especialistas, o Governo, outra vez deixa claro que quer dois tipos de medicina no Brasil. Uma com profissionais bem preparados para atender os abastados e outra, com arremedos de profissionais, para os vulneráveis socialmente.

À época em que estive na Comissão Nacional de Residência Médica, brecamos essa insanidade, não deixando-a avançar. Da mesma forma, agora, reagimos determinadamente ao Decreto 8497. A Sociedade Brasileira de Clínica Medica e suas coirmãs se uniram em torno das entidades nacionais dos médicos. O protesto foi tão forte que o Governo recuou estrategicamente.

Por enquanto, ao menos, barramos o novo ataque ao processo de especialização médica no Brasil. Ganha a ciência e os pacientes, que continuaram tendo a possibilidade de uma assistência de qualidade. Perdem os burocratas que odeiam cheiro de povo e tentam administrar a saúde sem se misturar, do isolamento de seus gabinetes luxuosos. É necessário, porém, permanecer alerta. Nunca se sabe quanto e de onde virão as próximas artilharias.

Antonio Carlos Lopes, é presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica 

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