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A ameaça das variantes Covid-19

Desde o início da pandemia causada pela COVID-19, relatos de eventos incomuns de saúde pública possivelmente relacionados às variantes do SARS-CoV-2 são monitorados globalmente. Este monitoramento avalia se as mutações acumuladas no vírus, que resultam no surgimento de novas variantes do SARS-CoV-2, provocam alterações em alguns dos seus atributos, como sua transmissibilidade, apresentação clínica e gravidade, possibilidade de reinfecções ou se impactam nas diversas medidas de controle, incluindo testes diagnósticos, intervenções terapêuticas e vacinas.

Em pouco mais de um ano, já foram identificadas diversas variantes, sendo que algumas suscitam preocupações pelo risco de alterarem o curso da pandemia ou de comprometer a eficácia das vacinas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considerada como variantes de preocupação (VOC) aquelas sobre as quais já há evidências claras indicando maior transmissibilidade, risco de doença mais grave (por exemplo, aumento de internações ou óbitos), redução significativa da capacidade de neutralização por anticorpos gerados durante infecção anterior ou vacinação, redução da eficácia de tratamentos ou vacinas, ou falhas de detecção de diagnóstico.

Quatro variantes de preocupação foram identificadas pela OMS: B.1.1.7 (Reino Unido); B.1.351 (África do Sul); P.1 (Brasil-Manaus) e B.1.617.2 (Índia).

Essa, aliás, era a nomenclatura até 31 de maio deste ano, quando a própria OMS anunciou que passaria a adotar letras do alfabeto grego para identificá-las. Com a alteração, a variante encontrada pela primeira vez em Manaus, a P.1 passou a se chamar Gamma, por exemplo.

Vale registrar que a mudança atende recomendação de grupo de especialistas da Organização Mundial da Saúde, visando tornar mais didática a nomenclatura ao público leigo, evitando que as variantes sejam estigmatizadas em associação a um país ou região.

A variante Delta tem causado preocupação particular neste momento, em função do rápido aumento da proporção de casos atribuído à esta variante em países como o Reino Unido ou os Estados Unidos, onde na segunda semana de junho a variante Delta já representava 10% do total de casos identificados. Em relação à possibilidade de escape vacinal, ou seja, risco de perda da proteção após a vacinação, aquela que tem gerado mais preocupação é a variante B.1.351

Prof. Dr. Marco Aurélio Sáfadi é consultor do CEM Covid - AMB   

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