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EVOLUÇÃO DA CIRURGIA ENDOVASCULAR A TORNA PRINCIPAL FORMA DE TRATAMENTO DE DOENÇAS CIRCULATÓRIAS

Dr. Ruy Otávio Barbosa, cirurgião vascular e endovascular do Hospital 9 de Julho, acaba de retornar de um congresso internacional da área na Alemanha e apresenta as novidades que deverão chegar em breve ao Brasil   
Há cerca de 20 anos, toda vez que alguém tinha uma doença circulatória grave, como os aneurismas de aorta abdominal, tinha que se submeter a uma cirurgia complicada, em que o cirurgião vascular abria o corpo do paciente para fazer a retirada da parte dilatada e substituir a artéria nativa por uma prótese. Além de ser uma cirurgia traumática e de alto risco (com risco de óbito por volta de 5%), o tempo de internação (em UTI e quarto) era grande e a recuperação demorada: o paciente só poderia voltar às suas atividades normais depois de quase um mês.  
A técnica convencional foi, ao longo dos anos, sendo substituída pela cirurgia endovascular. Esse tipo de procedimento surgiu no inicio da década de 90, indicada inicialmente para alguns casos em que o risco de complicações e óbito era muito grande. De lá para cá, houve uma evolução tão grande que a indicação do procedimento se inverteu: hoje, a grande maioria dos casos de aneurisma de aorta é resolvida pela cirurgia endovascular. E a evolução não para, como mostra o cirurgião vascular e endovascular do Hospital 9 de Julho, em São Paulo, Dr. Ruy Otávio Barbosa, que acabou de voltar de um congresso internacional da área na Alemanha.  

Quais as novidades?
Uma das grandes novidades que deve chegar ao Brasil em breve são as endopróteses ramificadas. O tratamento do aneurisma depende de algumas condições anatômicas, sendo a principal delas a distância entre as artérias renais e o inicio do aneurisma. Se a distância da artéria renal para o aneurisma for muito curta, não há espaço para a colocação da prótese e o cirurgião teria que optar pela cirurgia convencional. Com a chegada das próteses com ramos para as artérias renais, este problema estará resolvido.
Tais próteses ramificadas estão sendo largamente utilizadas, com sucesso, na Europa, onde já têm aprovação da Agência de Saúde Européia. Os fatores limitantes para o uso destas próteses são o alto custo e a necessidade de tempo para confecção sob medida para cada paciente (em torno de oito semanas).  
Uma alternativa as endopróteses ramificadas e a "técnica da chaminé", já realizada com sucesso no Hospital 9 de Julho, e que consiste na colocação de stents revestidos nas artérias renais liberados um pouco acima da endopróotese abdominal. Esta técnica não necessita da confecção de uma prótese personalizada para o paciente, podendo ser realizada nos casos mais urgentes.
Outra novidade apresentada no congresso alemão foi o Balão Liberador de Droga Imunossupressora, que se mostrou eficaz no combate a dois inconvenientes das angioplastias: a reestenose e a hiperplasia miointimal intrastent. Com o surgimento desse novo tipo de balão, o cirurgião consegue diminuir a incidência desses problemas. Além de liberar droga no momento adequado, o novo balão diminui a hiperplasia miointimal e as chances de reestenose. A novidade deve chegar ao Brasil no segundo semestre deste ano, sendo uma nova arma a ser utilizada nas angioplastias de membros inferiores, com o objetivo de evitar amputações, principalmente em pacientes diabéticos.

Como é realizada a cirurgia endovascular? Quais são suas vantagens e para que tipo de paciente é indicada?  

A cirurgia endovascular é guiada por um arco cirúrgico (aparelho de raio X) associado a contraste, por meio do qual o médico faz um mapeamento das artérias com precisão. Dessa forma, é possível atingir qualquer lugar do corpo por uma punção da artéria na virilha, por exemplo. Através de pequeno furo na pele, se posicionam cateteres (tubos ocos de material plástico), fios guias (fios de metal ou outros materiais que funcionam como trilhos para os cateteres), balões para dilatação, stents (dispositivos metálicos que são posicionados dentro dos vasos para os manterem com o interior aberto).  
A principal vantagem da cirurgia endovascular é o menor trauma cirúrgico, pois são desnecessárias grandes incisões. Desta forma, é possível diminuir o tempo de cirurgia, reduzir o tempo de internação e acelerar a recuperação. A maioria dos procedimentos é realizada sob anestesia local ou raquianestesia. De acordo com o Dr. Ruy, enquanto na cirurgia endovascular o paciente demora cerca de 10 dias para voltar às suas atividades normais, na cirurgia convencional esse tempo é de pelo menos um mês.  
Apesar de todos os benefícios e riscos das duas técnicas serem informados, a última decisão ainda cabe ao paciente. Se o paciente, plenamente consciente, afirma que mora em outro estado e que não tem condições de fazer o seguimento adequado, ele pode optar pela cirurgia convencional. Daí a importância do cirurgião vascular ter amplo conhecimento sobre a cirurgia convencional e das técnicas endovasculares para oferecer o melhor tratamento ao seu paciente. Eu deixo sempre o paciente livre para consultar uma segunda opinião, pesquisar na internet etc. Se ele decidir realizar a cirurgia comigo, é porque ele confia no meu trabalho.      

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